Delcy Rodríguez rejeita ordens dos EUA e defende soberania venezuelana
Delcy Rodríguez rejeita ordens dos EUA na Venezuela

Delcy Rodríguez rejeita interferência dos EUA e defende soberania venezuelana

A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, fez uma declaração contundente neste domingo (25), rejeitando publicamente qualquer tipo de ordem ou interferência dos Estados Unidos nos assuntos internos de seu país. Em um discurso direcionado a petroleiros no estado de Anzoátegui, no norte da Venezuela, Rodríguez deixou claro que a nação não aceitará mais determinações vindas de Washington.

Um posicionamento firme contra potências estrangeiras

"Chega de ordens de Washington sobre políticos na Venezuela", afirmou Rodríguez em sua mensagem. "Que seja a política venezuelana quem resolva nossas divergências e nossos conflitos internos. Chega de potências estrangeiras". Esta declaração representa um endurecimento na retórica da líder interina, que desde a captura do ditador Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, no início do ano, tem alternado entre um tom de enfrentamento e outro mais conciliatório com os Estados Unidos.

Vale lembrar que os EUA afirmaram estar no comando da Venezuela após a incursão militar de 3 de janeiro, mas desde então têm atuado em conjunto com Delcy Rodríguez. A líder, por sua vez, tem variado sua postura conforme o público-alvo: uma retórica mais agressiva voltada para sua base de apoio interna e um discurso mais ameno direcionado à comunidade internacional e ao presidente Donald Trump.

As reações americanas e a reorganização militar venezuelana

Autoridades americanas têm minimizado essas declarações, classificando-as como meros acenos internos para apoiadores. No mesmo dia da captura de Maduro, por exemplo, Rodríguez desafiou Trump ao afirmar que o ditador era "o único presidente" do país e que estavam "prontos para defender a Venezuela". Já o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou à ABC News que retórica é uma coisa, mas ação é outra, deixando claro que os Estados Unidos esperam medidas concretas.

Enquanto isso, na semana passada, Delcy Rodríguez promoveu uma significativa reorganização das Forças Armadas venezuelanas, nomeando 12 oficiais superiores para comandos militares regionais. Anteriormente, ela já havia designado um ex-chefe do serviço de inteligência como novo comandante de sua guarda presidencial e como diretor da agência de contrainteligência.

Incertezas e rumores no cenário político venezuelano

Após a operação que resultou na captura de Maduro, uma nuvem de incerteza pairou sobre o futuro político da Venezuela. Rumores circulavam entre venezuelanos na fronteira com o Brasil de que a cúpula política e militar do regime teria traído o ditador e feito um acordo com os Estados Unidos. Delcy Rodríguez, que era a número dois do regime de Maduro, tem desde então aberto canais de diálogo em meio à pressão americana.

Curiosamente, apesar da retórica de enfrentamento, a líder venezuelana foi convidada pelo governo Trump para visitar Washington, embora ainda não haja data marcada para essa reunião, conforme informado pela Casa Branca. Este convite demonstra a complexidade das relações entre os dois países e a dualidade do posicionamento de Rodríguez.

O cenário político venezuelano continua em constante transformação, com Delcy Rodríguez tentando equilibrar a soberania nacional com as pressões internacionais, enquanto reorganiza as estruturas de poder dentro do país. Suas declarações recentes reforçam a mensagem de que a Venezuela busca resolver seus próprios problemas, mas a realidade das relações internacionais pode exigir um jogo mais diplomático nos bastidores.