Venezuela pode alterar lei do petróleo para atrair US$ 100 bi dos EUA
Delcy Rodríguez propõe reforma na lei petrolífera da Venezuela

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou ter apresentado uma proposta para reformar o setor petrolífero do país. A medida surge em meio a pressões de investidores norte-americanos que buscam acesso facilitado às indústrias do ramo na Venezuela.

Pressão por mudanças na legislação histórica

Em entrevista ao Conexão Record News, o especialista em relações internacionais Vitelio Brustolin explicou o contexto por trás da movimentação. Segundo ele, os empresários dos Estados Unidos estão cautelosos porque já sofreram prejuízos com as leis venezuelanas no passado, em relação aos investimentos no petróleo do país.

Por essa razão, os investidores estariam aguardando alterações concretas na legislação antes de realizar novos aportes financeiros. Brustolin destacou que Delcy Rodríguez está disposta a promover essa mudança na lei, que foi originalmente alterada em 2006 pelo então presidente Hugo Chávez, quando os recursos do país foram nacionalizados.

O volume necessário para recuperar a produção

O especialista também dimensionou o desafio financeiro que a Venezuela enfrenta. Para que o país retome a produtividade de extrair 3,3 milhões de barris de petróleo por dia, patamar alcançado em um passado recente, seriam necessários investimentos maciços na infraestrutura nacional.

O valor estimado por Vitelio Brustolin é expressivo: cerca de US$ 100 bilhões precisariam ser injetados para recuperar a capacidade produtiva da indústria petrolífera venezuelana, que hoje opera bem abaixo de seu potencial.

O que significa a proposta de reforma

De acordo com a própria Delcy Rodríguez, as medidas em estudo permitiriam que os fluxos de investimentos fossem direcionados para setores que atualmente carecem de infraestrutura adequada. A proposta visa criar um ambiente jurídico mais seguro e atrativo para o capital estrangeiro, especialmente o norte-americano.

A declaração foi feita no dia 16 de janeiro de 2026, e reflete uma tentativa do governo interino de reaquecer a principal atividade econômica do país, que passa por uma grave crise há anos. A movimentação indica uma possível flexibilização do modelo nacionalista implantado por Chávez, em busca de uma reinserção no mercado energético global.