Delcy Rodríguez assume presidência interina da Venezuela após captura de Maduro
Delcy Rodríguez é presidente interina da Venezuela

Em um dia histórico para a Venezuela, Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina do país nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026. A cerimônia ocorreu na Assembleia Nacional, poucos dias após a deposição e prisão do ex-presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos.

Uma posse marcada por dor e honra

A nova mandatária, que antes ocupava o cargo de vice-presidente, definiu a captura de Maduro como um "sequestro" e afirmou que assumia a liderança do país "com dor, mas com honra". Durante a sessão, Nicolás Maduro Guerra, filho do ex-líder, discursou e declarou que "a pátria está em boas mãos".

Delcy Rodríguez, de 56 anos, é uma figura central no chavismo. Filha do guerrilheiro de esquerda Jorge Antonio Rodríguez, fundador da Liga Socialista nos anos 1970, ela é formada em Direito pela Universidade Central da Venezuela. Sua trajetória política ganhou força na última década, com passagens pelos ministérios da Comunicação, Relações Exteriores, Fazenda e Petróleo. Conhecida por sua defesa ferrenha do socialismo bolivariano, ganhou de Maduro o apelido de "tigresa".

As acusações que levaram à prisão de Maduro

A mudança no poder ocorreu após uma operação militar norte-americana na madrugada de sábado, 3 de janeiro. Segundo a CNN, Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram retirados à força de um quarto dentro do complexo militar Forte Tiuana. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou à Fox News que assistiu ao vivo à captura.

Maduro e Flores estão presos no Brooklyn e alegam inocência. Eles respondem a um novo indiciamento da promotoria de Manhattan, que acusa o ex-ditador de supervisionar pessoalmente uma rede estatal de tráfico de cocaína. A acusação alega parcerias com cartéis mexicanos como Sinaloa e Los Zetas, com as FARC colombianas e com a gangue venezuelana Tren de Aragua.

O documento judicial detalha que Maduro usou sua autoridade e instituições do Estado para transportar milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos. As acusações incluem fornecer passaportes diplomáticos a traficantes e facilitar a repatriação de dinheiro do crime. Além do casal, também são réus o filho de Maduro, o ministro do Interior Diosdado Cabello e o líder do Tren de Aragua, Hector Guerrero Flores.

Repercussão e enquadramento legal

O procurador norte-americano Jay Clayton afirmou que "Maduro permite que a corrupção alimentada pela cocaína floresça para seu próprio benefício". O indiciamento é a base legal que autorizou as acusações criminais e os mandados de prisão internacional.

Maduro é acusado de narcoterrorismo e está sendo enquadrado como uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos, com base em uma lei criada após os ataques de 11 de setembro de 2001. As autoridades americanas baseiam seu julgamento em uma mistura de direito penal, direito internacional e avaliação de risco à segurança.

Enquanto isso, em Caracas, Delcy Rodríguez, que aplicou políticas econômicas ortodoxas para combater a inflação e trabalha em estreita colaboração com seu irmão Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, assume o comando de uma nação em profunda crise e sob os holofotes internacionais.