COP30 em Belém: ONU sob pressão por crise de hospedagem que ameaça a conferência climática
COP30: crise de hospedagem em Belém expõe falha da ONU

Parece que a Organização das Nações Unidas meteu os pés pelas mãos — de novo. Desta vez, o palco da confusão é Belém do Pará, onde a COP30 está prestes a acontecer, e o que era para ser um evento histórico sobre o clima agora se transformou num quebra-cabeça logístico de proporções épicas.

O cerne da questão? A falta gritante de leitos. Sim, leitos! A ONU, que deveria ser a grande maestrina desse evento, simplesmente ignorou o fato de que Belém não é Paris, nem Dubai. A cidade não tem — e nem poderia ter — infraestrutura hoteleira para acomodar de repente dezenas de milhares de delegados, jornalistas e ativistas ambientais.

Um descompasso que cheira a irresponsabilidade

O mais absurdo de tudo isso é o timing. Ou a falta dele. A ONU levou meses, quiçá anos, para acordar para a realidade básica da hotelaria na região Norte do Brasil. Enquanto isso, o governo local e a iniciativa privada corriam contra o tempo, tentando criar soluções mirabolantes, desde a adaptação de navios de cruzeiro a hotéis flutuantes até a construção acelerada de novos empreendimentos.

Não é de hoje que a máquina da ONU demonstra uma desconexão palpável com o chão de fábrica dos países que sediam seus eventos. Desta vez, porém, a falha é tão elementar que beira o inacreditável. Como é possível planejar uma conferência global numa cidade sem antes garantir onde todos vão dormir?

As consequências práticas do imbróglio

Os efeitos já começam a aparecer, e são desastrosos. Muitas delegações estrangeiras, especialmente as de países menores com orçamentos limitados, estão seriamente reconsiderando sua participação. Os preços dos poucos quartos disponíveis disparam a níveis estratosféricos, tornando a hospedagem proibitiva.

E o pior: o foco da discussão migrou do aquecimento global para… o aquecimento dos preços dos hotéis. A ironia é dolorosa. Em vez de debatermos como salvar o planeta, gastamos energia discutindo onde colocar as malas dos diplomatas.

Um desastre anunciado?

Alguns especialistas em logística de grandes eventos já alertavam há tempos sobre esse risco. Belém, apesar de sua importância simbólica na Amazônia, simplesmente não possui a malha hoteleira de um grande centro urbano. Ignorar esse fato básico foi um erro crasso de planejamento.

O que me deixa verdadeiramente perplexo é a aparente falta de um plano B. A ONu parece ter apostado todas as fichas na ideia de que milagres logísticos acontecem por obra do acaso — ou pela intervenção divina.

Agora, corre-se o risco real de termos uma conferência do clima onde metade dos participantes precisará ficar em cidades vizinhas, enfrentando horas de deslocamento diário. Alguém já pensou no carbono adicional desses trajetos extras? Pois é.

No final das contas, toda essa situação deixa um gosto amargo de oportunidade perdida. O Brasil, e especialmente a região Norte, merecia brilhar nesse evento global. Em vez disso, podemos ter um exemplo clássico de como a desconexão burocrática pode sabotar até as melhores intenções.

Resta torcer para que, de alguma forma, essa crise estimule soluções criativas e deixe um legado de infraestrutura para Belém. Mas uma coisa é certa: a credibilidade da ONU na organização de grandes eventos sairá bastante arranhada dessa confusão toda.