Conflito no Oriente Médio provoca cancelamento de voos e transtornos para brasileiros em Guarulhos
O conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel no Oriente Médio está causando impactos diretos no Brasil, especialmente no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Desde o último sábado (28), 24 voos que passariam pelo terminal foram cancelados, afetando centenas de passageiros brasileiros que tinham planos de viagem para a região.
Passageiros relatam descaso e incertezas com reembolsos
Casos como o de Geyson e Luana ilustram o transtorno vivido pelos viajantes. O casal, que saiu de Florianópolis para comemorar o aniversário de 10 anos de casamento e o aniversário de Luana em Dubai, enfrentou uma situação inesperada. Após 13 horas de voo a bordo de uma aeronave da Emirates, já sobre a costa da África, o piloto anunciou a necessidade de retornar a São Paulo devido ao fechamento do espaço aéreo.
"Estava todo mundo bem esgotado. Quando ele deu a notícia que nós teríamos que voltar, todo mundo ficou: 'nossa, não acredito'. As pessoas falavam: 'meu Deus, vou até São Paulo de novo?'. Então fomos pegos de surpresa", contou o casal.
De volta a São Paulo, a companhia aérea forneceu alimentação e hospedagem até esta segunda-feira (2), mas sobre o reembolso ou remarcação das passagens, nenhuma resposta foi obtida. "Nós estamos entrando em contato direto, inclusive a agência que a gente contratou está em contato desde o primeiro dia e a gente não está tendo retorno. Inclusive, hoje estamos aqui e estão todas as centrais fechadas e se tu tenta contato pelo telefone não consegue. Um descaso total, né?", desabafaram.
Famílias buscam alternativas e enfrentam prejuízos financeiros
A família de Lidiane Fleury também foi impactada. Eles viajariam nesta segunda-feira (2) para a China, com conexão em Doha pela Qatar Airways, mas com o fechamento do espaço aéreo de Doha, precisaram buscar soluções alternativas.
"A gente vai fazer uma peregrinação aí: Brasil-Roma, Roma-Alemanha, Alemanha-Pequim. A gente teve que excluir 2 dias de Shangai pra ir direto pra Pequim", explicou Lidiane.
No aeroporto de Guarulhos, conseguiram recuperar o valor das passagens originais, mas os outros trechos adquiridos permanecem sem garantia de reembolso. "Viemos até o escritório deles aqui no aeroporto de Guarulhos e a gente vai ser ressarcido, mas os outros trechos que a gente pagou, a gente não sabe. Acho que não", lamentou.
Procon-SP orienta sobre direitos dos passageiros
O Procon-SP informou que as companhias aéreas são obrigadas a remarcar ou reembolsar as passagens em situações como esta. No entanto, o órgão alerta que, em momentos excepcionais, o princípio da preservação da vida deve prevalecer sobre outras considerações.
A TV Globo tentou contato com a Emirates para saber quando o posto da empresa no aeroporto de Guarulhos será reaberto, mas não obteve resposta. Enquanto isso, o Itamaraty informou que as embaixadas do Brasil no Oriente Médio estão à disposição dos brasileiros durante este período de conflitos.
Contexto do conflito que afeta os voos
Os cancelamentos ocorrem em meio a um ataque coordenado dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, realizado no início da manhã de sábado (28). Explosões foram registradas em Teerã e em pelo menos outras quatro cidades iranianas. Em resposta, o Irã disparou mísseis contra Israel e atacou bases americanas na região.
Entre as consequências diretas:
- Fechamento do espaço aéreo iraniano
- Morte de 40 estudantes em uma escola de meninas no sul do Irã durante os ataques
- Explosões ouvidas em países como Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Emirados Árabes Unidos
- Interceptação de mísseis pelos Emirados Árabes Unidos, com uma morte registrada em Abu Dhabi
Este é o segundo ataque dos Estados Unidos ao Irã em menos de um ano. Em junho de 2025, uma operação norte-americana bombardeou estruturas nucleares iranianas em apoio a Israel.
Declarações das lideranças envolvidas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o objetivo do ataque é destruir o programa nuclear iraniano e proteger o povo americano de ameaças. "Garantiremos que os representantes terroristas do regime não possam mais desestabilizar a região ou o mundo, e que o Irã não obtenha uma arma nuclear", afirmou Trump em vídeo divulgado nas redes sociais.
Já o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que a operação visa "eliminar a ameaça existencial representada pelo regime terrorista no Irã".
Cenário regional e histórico de tensões
Os Estados Unidos ampliaram sua presença militar no Oriente Médio nas últimas semanas com o envio dos porta-aviões USS Abraham Lincoln e USS Gerald R. Ford, somando-se a navios de guerra e bases já existentes na região. Enquanto isso, o Irã realizou exercícios militares conjuntos com Rússia e China.
As tensões entre Irã e Estados Unidos remontam a 1979, com a Revolução Islâmica que implantou o regime dos aiatolás. A relação passou por momentos de estabilização durante o governo Obama, culminando no acordo nuclear de 2015, mas deteriorou-se novamente quando Trump retirou os Estados Unidos do tratado em 2017.
O contexto atual se soma a dificuldades econômicas no Irã, com inflação acima de 40% ao ano e desvalorização acentuada da moeda local, além de tensões políticas internas e protestos contra o regime.
