Câmara dos EUA aprova renovação do Obamacare; aborto é entrave no Senado
Câmara dos EUA aprova renovação do Obamacare

A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou, nesta quinta-feira (9), a renovação dos subsídios do programa de saúde conhecido como Obamacare. A medida, que havia expirado em dezembro de 2025, gerava aumento nos custos de saúde para a população e um problema político para os republicanos.

Votação e divisão partidária

O projeto de lei que restaura os benefícios do Affordable Care Act (ACA) recebeu apoio bipartidário. Um grupo de 17 deputados republicanos se uniu aos democratas para garantir a aprovação na Casa. O programa direciona impostos para cobrir parte dos custos de planos de saúde de famílias de baixa e média renda.

Agora, a proposta segue para o Senado, onde os republicanos possuem maioria. No entanto, um tema espinhoso promete complicar as negociações: o aborto. Desde 1976, a Emenda Hyde impede o uso de verbas federais para financiar abortos, exceto em casos de estupro ou risco de vida para a gestante.

O impasse sobre o aborto e a pressão política

O presidente Donald Trump causou mal-estar entre sua base aliada ao sugerir, na terça-feira (6), que os parlamentares fossem "um pouco flexíveis" na questão para viabilizar um acordo sobre saúde. A declaração foi mal recebida por setores conservadores.

A presidente da organização antiaborto Susan B. Anthony, Marjorie Dannenfelser, alertou que se o Partido Republicano abandonar esse compromisso histórico, arrisca perder eleitores e as eleições de meio de mandato (midterms) de 2026. Já os democratas pressionam pelo fim da Emenda Hyde.

Atualmente, os planos de saúde que cobrem abortos em estados onde o procedimento é legal precisam segregar esses custos para não usar subsídios federais. Grupos conservadores querem ir além, proibindo que qualquer plano com essa cobertura receba ajuda federal.

Cálculo político e próximos passos

O projeto aprovado na Câmara, que estende os subsídios por três anos, é considerado de difícil aprovação no Senado em sua forma atual. A expectativa é que se busque um formato alternativo, como pagamentos diretos às famílias.

Os republicanos agora avaliam qual questão pesa mais para o eleitorado: a flexibilização sobre o aborto ou o aumento concreto dos custos de saúde. Trump tem sinalizado que a questão econômica é sua prioridade, embora sua posição pública sobre o aborto tenha variado ao longo do tempo.

A votação na Câmara, especialmente com o apoio de parte dos republicanos, exerce pressão sobre os senadores para que encontrem uma solução. O desfecho desta negociação será crucial para o acesso à saúde de milhões de americanos e para o equilíbrio de poder no Congresso.