Bill e Hillary Clinton aceitam depor sobre caso Epstein após ameaça de desacato ao Congresso
Clintons depõem sobre Epstein após pressão do Congresso

Clintons cedem à pressão e aceitam depor sobre conexões com Jeffrey Epstein

O ex-presidente americano Bill Clinton e sua esposa, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, finalmente concordaram em prestar depoimento na investigação da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos sobre as ligações com o financista Jeffrey Epstein. A decisão histórica foi anunciada na segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, evitando assim uma possível votação que poderia considerá-los em desacato criminal ao Congresso.

Pressão política e risco de sanções

A concessão ocorreu às vésperas de uma votação dos deputados que ameaçava declarar o casal em desacato ao Congresso devido às ausências em audiências anteriores, mesmo diante de intimações formais. O crime de desacato pode levar a multas de até US$ 100 mil, equivalentes a aproximadamente R$ 532 mil, ou até mesmo a um ano de prisão.

Durante meses, os Clinton resistiram aos chamados do comitê de supervisão da Câmara, liderado pelo republicano James Comer. Eles argumentavam que as intimações eram legalmente inválidas e acusavam Comer de perseguição política, alegando que o objetivo era desviar o foco das falhas do governo de Donald Trump em relação ao caso Epstein.

Tensão entre as partes

Em uma troca acalorada de declarações, o porta-voz dos Clinton, Angel Ureña, afirmou nas redes sociais: "Eles negociaram de boa fé. Você (Comer) não. Eles lhe disseram sob juramento o que sabem, mas você não se importa". Por outro lado, Comer foi enfático ao declarar que "os Clinton não têm o direito de ditar os termos de intimações legais".

Anteriormente, os advogados do casal enviaram uma carta explicando a recusa em comparecer, classificando as intimações como "inválidas e juridicamente inexequíveis" e uma violação da separação de poderes. No entanto, a crescente pressão política e a ameaça concreta de sanções criminais levaram à mudança de postura.

Contexto do caso Epstein

A relação de Bill Clinton com Epstein voltou aos holofotes republicanos em meio à demanda social por responsabilização pelos abusos do financista, que se suicidou na prisão em 2019 após condenação por tráfico sexual. O ex-presidente americano manteve laços documentados com Epstein no final dos anos 1990 e início dos 2000, assim como outros homens poderosos, incluindo o próprio Donald Trump.

Recentemente, a divulgação de mais de 3 milhões de arquivos relacionados ao caso pelo Departamento de Justiça, incluindo e-mails entre Epstein e o bilionário Elon Musk, intensificou o debate sobre transparência. Democratas e alguns republicanos sustentam que ainda há milhões de páginas de informações retidas.

Divisão partidária e consequências

Nove dos 21 democratas do comitê juntaram-se aos republicanos em apoio às acusações de desacato contra Bill Clinton, defendendo transparência total na investigação. Três democratas também apoiaram as acusações contra Hillary Clinton. O caso tem gerado desgaste significativo para a Casa Branca, acusada de tentar desviar a atenção através de investigações contra rivais políticos.

A decisão dos Clinton de finalmente depor estabelece um precedente importante sobre a obrigação de figuras públicas cooperarem com investigações congressuais, mesmo em contextos politicamente carregados. O depoimento promete trazer novos desenvolvimentos a um caso que continua a reverberar no cenário político americano.