Relatório acusa cinco países da UE de corroer democracia de forma sistemática e intencional
Cinco países da UE corroem democracia intencionalmente, diz ONG

Cinco países da União Europeia são acusados de corroer democracia de forma sistemática

Um relatório alarmante da União das Liberdades Civis para a Europa (Liberties) acusa cinco países membros da União Europeia de estarem corroendo intencional e sistematicamente o Estado de Direito em seus territórios. O documento, publicado nesta segunda-feira, 30 de março de 2026, aponta que Bulgária, Croácia, Hungria, Itália e Eslováquia apresentam uma regressão clara e preocupante em todos os índices democráticos avaliados pela organização.

Retrocessos democráticos em múltiplas frentes

Baseado em evidências catalogadas por mais de 40 organizações não governamentais em 22 nações europeias, o relatório da Liberties destaca que esses cinco países implementaram políticas que afetam negativamente áreas fundamentais para qualquer democracia. Entre os principais pontos de preocupação estão:

  • Liberdade de imprensa: Ataques a jornalistas se intensificaram, especialmente na Eslováquia, Bulgária e Itália
  • Independência do judiciário: Discurso crítico contra instituições judiciais e de direitos humanos tem crescido
  • Combate à corrupção: Mecanismos anticorrupção têm sido enfraquecidos ou ignorados
  • Direito de protesto: Medidas restritivas criminalizam diferentes formas de manifestação pública

Hungria permanece em situação especialmente grave

O documento da Liberties define o governo do primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, no poder há 16 anos, como responsável por implementar "leis e políticas cada vez mais retrógradas, sem qualquer sinal de mudança". A Hungria, que deve realizar eleições em 12 de abril, continua a adotar medidas consideradas antidemocráticas, incluindo a proibição de eventos LGBTQIA+ e a investigação de seus organizadores.

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Eslováquia e Itália seguem caminho preocupante

Na Eslováquia, o governo populista de Robert Fico gerou uma série de retrocessos democráticos significativos, com destaque para medidas que afetam diretamente a liberdade de imprensa, a justiça e o combate à corrupção. Já na Itália, o governo de Giorgia Meloni adotou um decreto de segurança altamente restritivo que criminaliza diferentes formas de protesto, como bloqueios de estradas, em um plano mais amplo de cerceamento a manifestações públicas.

Mecanismos da UE se mostram ineficazes

Um dos aspectos mais preocupantes destacados pelo relatório é a ineficácia dos mecanismos estabelecidos pela própria União Europeia para lidar com a erosão do Estado de Direito em seus países membros. A Liberties apontou que 93% das recomendações da Comissão Europeia sobre o bem-estar da democracia em 2025 eram repetições de anos anteriores, demonstrando a falha dos governos em transformar orientações em ações concretas.

"Repetir recomendações sem um acompanhamento significativo não reverterá essa situação", alertou Ilina Neshikj, diretora executiva da Liberties, enfatizando a necessidade de medidas mais efetivas para proteger os valores democráticos fundamentais da União Europeia.

O relatório serve como um alerta contundente sobre os riscos que a democracia enfrenta mesmo dentro das fronteiras da União Europeia, destacando a necessidade urgente de ações concretas para reverter essa tendência preocupante que afeta milhões de cidadãos europeus.

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