Chefe de fronteira dos EUA é afastado após usar casaco comparado a uniforme nazista
Chefe de fronteira dos EUA afastado por casaco nazista

Chefe de fronteira dos EUA é afastado após polêmica com casaco comparado a uniformes nazistas

Gregory Bovino, chefe da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos, foi afastado das operações em Minneapolis, Minnesota, após usar um casaco que foi comparado a uniformes nazistas por veículos de imprensa internacionais. A informação foi divulgada na segunda-feira, 26 de janeiro de 2026, por fontes como The New York Times, The Atlantic e CBS News, embora ainda não tenha sido confirmada oficialmente pela Casa Branca.

Polêmica da vestimenta e críticas da imprensa alemã

Em meados de janeiro, Bovino foi alvo de duras críticas devido ao uso de um sobretudo verde-oliva de lã, com abotoamento duplo, dragonas e botões de latão. A imprensa alemã, em particular, destacou as semelhanças com uniformes históricos. Arno Frank, colunista da revista Der Spiegel, afirmou que Bovino estava "recorrendo a modelos testados e aprovados", enquanto o resto da equipe parecia usar "qualquer coisa que tenham à mão".

Frank acrescentou que o chefe de patrulha "se destaca dessa turba de valentões, assim como um elegante oficial da SS se destaca da tumultuosa SA", referindo-se à tropa de choque nazista Sturmabteilung. Ele também comentou sobre o corte de cabelo undercut de Bovino, dizendo que "tudo o que falta para o cosplay perfeito é um monóculo".

Outro veículo alemão, o Süddeutsche Zeitung, ponderou que esse estilo de casaco também foi utilizado por outros países, como tropas britânicas na Segunda Guerra Mundial, mas advertiu sobre a estética escolhida por Bovino. O jornal afirmou: "Outros países também tinham esses casacos, mas o traje de Bovino completa o visual nazista: um corte de cabelo bem curto, como se ele tivesse levado uma foto de Ernst Röhm, líder assassinado da SA, ao barbeiro".

Contexto de protestos e aumento da violência em Minnesota

A saída de Bovino de Minneapolis ocorre em um cenário de fervorosos protestos anti-ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) e aumento da violência no estado. Recentemente, dois americanos foram mortos por agentes de imigração em incidentes separados:

  • Renee Nicole Good, 37 anos, poetisa, baleada na cabeça durante uma blitz no início do mês em Minneapolis.
  • Alex Pretti, 37 anos, enfermeiro, baleado dez vezes à queima-roupa em uma abordagem na mesma cidade.

Bovino havia sido um dos primeiros a culpabilizar Pretti, alegando que a vítima queria "massacrar os policiais", o que adicionou tensão às operações. Em resposta à pressão pública, Minneapolis anunciou a saída de alguns agentes do ICE, após o ex-presidente Donald Trump moderar seu discurso sobre imigração.

Substituição e retorno a posto na Califórnia

Gregory Bovino foi substituído por Tom Homan, conhecido como "czar da fronteira", que assume a supervisão das operações do ICE em Minnesota. Enquanto isso, Bovino retornará ao posto de controle de fronteira em El Centro, na Califórnia, onde espera-se que se aposente em breve. Essa mudança reflete uma tentativa de acalmar os ânimos e reorganizar as estratégias de segurança na região.

O portal de notícias americano Politico analisou a situação, alertando que uniformes militarizados podem fomentar uma postura agressiva. Em uma análise, o veículo afirmou: "Quando uma agência interna se veste como se estivesse em guerra, corre o risco de agir como se estivesse em guerra, inclusive com o público". Isso destaca os riscos percebidos da militarização em agências civis, especialmente em um contexto de tensões sociais crescentes.

O caso de Bovino ilustra como questões de vestimenta e simbolismo podem ter impactos significativos na política e na opinião pública, especialmente em tempos de divisão e conflito sobre imigração e segurança nos Estados Unidos.