Diretor de Contraterrorismo dos EUA renuncia em protesto à guerra contra o Irã
Chefe antiterrorismo dos EUA renuncia por guerra contra Irã

Alta autoridade antiterrorismo dos Estados Unidos deixa cargo em protesto contra conflito com Irã

O diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, Joe Kent, apresentou sua renúncia nesta terça-feira, 17 de março de 2026, em um ato de protesto contra a guerra conduzida pelo governo de Donald Trump contra o Irã. Em declaração pública, Kent afirmou que não poderia permanecer no cargo e "em sã consciência" apoiar o conflito em curso.

Acusação direta contra influência israelense

Em publicação nas redes sociais, o oficial antiterrorismo fez graves acusações sobre as motivações por trás do conflito. "O Irã não representava uma ameaça iminente ao nosso país, e está claro que iniciamos esta guerra devido à pressão de Israel e de seu poderoso lobby nos Estados Unidos", escreveu Kent em sua conta no Twitter.

Na mesma postagem, o diretor anexou uma carta endereçada diretamente ao presidente Donald Trump, onde desenvolveu suas críticas de forma mais detalhada. Evitando atacar Trump pessoalmente, Kent direcionou suas acusações contra "altos funcionários israelenses e membros influentes da mídia americana".

Comparação com a guerra do Iraque e experiência pessoal traumática

O ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo traçou um paralelo preocupante entre a situação atual e eventos históricos recentes. "Essa câmara de eco foi usada para enganá-lo, fazendo-o acreditar que o Irã representava uma ameaça iminente aos Estados Unidos. Isso foi uma mentira e é a mesma tática que os israelenses usaram para nos arrastar para a desastrosa guerra do Iraque", afirmou em sua carta.

Kent revelou ainda que sua decisão tem raízes profundamente pessoais. O oficial perdeu sua esposa, uma militar condecorada, em "uma guerra fabricada por Israel" na Síria. Essa experiência trágica o levou a declarar que não pode apoiar "o envio da próxima geração para lutar e morrer em uma guerra que não traz nenhum benefício ao povo americano".

Trajetória profissional e contexto político

Joe Kent havia sido confirmado no cargo de diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo em julho do ano anterior, após um processo de confirmação no Senado que resultou em 52 votos a favor e 44 contra. Ex-candidato político com ligações a grupos de extrema direita, ele comandava o órgão responsável por analisar e detectar ameaças terroristas em território americano e internacional.

Em sua carta final, Kent fez um apelo direto ao presidente Trump, sugerindo que ainda há tempo para "reverter o curso" do conflito. O oficial alertou que, caso contrário, os Estados Unidos poderiam "deslizar ainda mais em direção ao declínio e ao caos".

A renúncia ocorre em um momento de tensão internacional crescente e representa um raro caso de protesto interno dentro da estrutura de segurança nacional americana. A decisão de Kent levanta questões significativas sobre os processos de tomada de decisão que levaram ao conflito com o Irã e sobre as influências externas na política externa dos Estados Unidos.