CEO da Air Canada renuncia após polêmica por mensagem em inglês sobre acidente fatal
O CEO da Air Canada, Michael Rousseau, anunciou nesta segunda-feira, 30 de março de 2026, que deixará o cargo até o fim do terceiro trimestre deste ano. A decisão ocorre após duras críticas por ele ter divulgado uma mensagem de condolências apenas em inglês sobre um acidente aéreo fatal envolvendo a companhia.
Acidente em Nova York e a mensagem controversa
O incidente que desencadeou a polêmica foi a colisão entre um avião da Air Canada e um caminhão de bombeiros na pista do aeroporto de LaGuardia, em Nova York, ocorrida em 22 de março. O acidente resultou na morte dos dois pilotos e deixou 41 pessoas feridas. Um dos pilotos falecidos, Antoine Forest, era natural do Quebec, região francófona do Canadá.
Em vídeo publicado no X (antigo Twitter), Rousseau expressou "profunda tristeza por todos os afetados", mas falou exclusivamente em inglês, com legendas em francês. Esta abordagem gerou imediata reação negativa, especialmente no Quebec, onde cerca de 80% da população fala francês e a preservação do idioma é uma questão histórica sensível.
Reações políticas e investigações
A atitude do executivo foi amplamente condenada por autoridades canadenses:
- O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou que demonstrou "falta de compaixão".
- O primeiro-ministro de Quebec, François Legault, declarou que Rousseau deveria deixar o cargo caso não fosse capaz de falar francês.
O caso levou o Gabinete do Comissário de Línguas Oficiais do Canadá a receber centenas de reclamações. Rousseau foi convocado a prestar esclarecimentos ao comitê parlamentar de Línguas Oficiais em Ottawa, onde a questão linguística ganhou destaque nacional.
Pedido de desculpas e limitações linguísticas
Posteriormente, o executivo emitiu um comunicado bilíngue pedindo desculpas, no qual afirmou não ter conseguido se expressar "adequadamente" em francês. Rousseau reconheceu que sua limitação no idioma "desviou o foco" em relação às vítimas do acidente e mencionou que continua tentando melhorar, apesar de anos de estudo.
Vale destacar que Rousseau, no cargo desde 2021, já havia sido alvo de críticas anteriores por não falar francês em pronunciamentos públicos. A Air Canada, a maior companhia aérea do Canadá, tem sede na província francófona de Quebec, o que intensifica a expectativa por comunicação bilíngue.
Anúncio da renúncia e transição
Ao anunciar sua saída, Rousseau declarou que foi "uma grande honra" estar à frente da empresa e que pretende apoiar a transição de chefia. A Air Canada, em comunicado, destacou que ele deixa o cargo após "quase duas décadas de liderança forte e dedicada" na companhia.
Contexto histórico da questão linguística
A polêmica reacendeu a sensibilidade da questão do idioma no Canadá, que tem peso histórico significativo, especialmente no Quebec. A preservação da língua francesa é um tema sensível desde o período de domínio britânico no século XVIII, com leis e políticas destinadas a proteger o francês como língua oficial.
Este episódio ilustra como questões culturais e linguísticas podem impactar diretamente a liderança corporativa e a imagem pública de grandes empresas em contextos multiculturais como o canadense.



