Casal brasileiro retido nas Maldivas após escalada de conflito no Oriente Médio
A rondoniense Mitsue Matsuno e seu marido cubano, Alexandre Bahamonde, encontram-se presos nas ilhas Maldivas desde o dia 2 de março, após o fechamento do espaço aéreo em Dubai provocado pela guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel no Oriente Médio. O conflito, que entrou em seu quinto dia com novos ataques, forçou o cancelamento e redirecionamento de voos internacionais, deixando centenas de passageiros em situação similar à do casal.
Viagem interrompida e incertezas
Mitsue e Alexandre viajaram pela companhia aérea Emirates, chegando ao destino no dia 26 de fevereiro, com retorno programado para 2 de março. No entanto, no dia do embarque, a empresa informou que a volta estava adiada sem prazo definido. "Estamos com medo dessa guerra e ansiosos por não saber direito o que está acontecendo. Nossa agência está há 24 horas tentando nos dar novas possibilidades de voo pela Europa, mas a Emirates não tem prazo. São muitos passageiros na mesma situação", relatou Mitsue em entrevista.
A Emirates divulgou em suas redes sociais que está acomodando clientes com reservas anteriores como prioridade nos voos limitados disponíveis. A companhia orienta que os passageiros verifiquem o status de seus voos online antes de se dirigirem ao aeroporto, uma vez que as últimas atualizações serão publicadas em seu site oficial.
Impacto global no tráfego aéreo
O fechamento dos espaços aéreos de Israel, Irã, Emirados Árabes Unidos e Catar, após o início dos ataques na região, impactou significativamente as rotas internacionais. Além da Emirates, outras companhias aéreas anunciaram mudanças em suas operações:
- KLM suspendeu voos de e para Tel Aviv.
- Virgin Atlantic cancelou voos para Dubai e informou que evitará sobrevoar o Iraque, o que pode aumentar o tempo de viagens para Índia, Maldivas e Arábia Saudita.
- Turkish Airlines suspendeu voos para Líbano, Síria, Iraque, Irã e Jordânia até segunda-feira, e cancelou operações para Catar, Kuwait, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Omã.
- ITA Airways suspendeu voos de e para Tel Aviv até 7 de março e também deixou de usar o espaço aéreo de Israel, Líbano, Jordânia, Iraque e Irã.
Contexto do conflito no Oriente Médio
A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã teve início após ataques lançados no sábado, 28 de fevereiro, contra alvos militares e nucleares iranianos, resultando na morte do líder supremo Ali Khamenei. Os Estados Unidos e Israel justificam a ofensiva como uma forma de destruir o programa nuclear iraniano e evitar a suposta fabricação de armas nucleares. O Irã, por sua vez, nega veementemente buscar armas e afirma que seu programa é exclusivamente pacífico.
Em resposta, o Irã passou a lançar mísseis e drones contra Israel e países do Golfo, onde existem bases militares americanas, espalhando o conflito para Líbano, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. Segundo a organização humanitária iraniana Crescente Vermelho, o número de mortos no Irã já ultrapassou mil desde o início dos bombardeios, com vítimas também registradas em outros países da região.
O bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, agravou a crise, com o ex-presidente americano Donald Trump sugerindo que os Estados Unidos podem escoltar petroleiros para desafiar a medida. Enquanto isso, a Europa entrou em alerta, com governos reforçando presença militar na região e discutindo medidas de defesa, conforme declarou o presidente francês Emmanuel Macron.
Com a morte de Khamenei, o Irã enfrenta a necessidade de escolher um novo líder supremo em meio ao conflito, com autoridades iranianas afirmando que não pretendem negociar com os Estados Unidos no momento e que o país está preparado para continuar a guerra. Enquanto isso, casais como Mitsue e Alexandre aguardam ansiosamente por uma solução que lhes permita retornar ao Brasil.



