Captura de Maduro: O que vem depois? Delcy Rodríguez e o futuro da Venezuela
Captura de Maduro e o futuro incerto da Venezuela

A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em uma operação militar conjunta entre os Estados Unidos e Israel abalou os alicerces do regime chavista, mas não o derrubou. O evento, descrito como espetacular e ousado, ocorreu no início de janeiro de 2026, deixando um vácuo de poder imediato e uma série de incógnitas sobre o futuro do país.

O Vácuo de Poder e a Ascensão de Delcy Rodríguez

Com Maduro preso e aguardando audiência em uma penitenciária federal de Nova York, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu interinamente o comando da Venezuela. No entanto, sua legitimidade e poder real são questionados tanto interna quanto externamente.

Filha de um líder comunista histórico e uma militante chavista de longa data, Delcy Rodríguez agora se encontra em uma posição delicada. Ela e seu irmão, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, subiram um degrau na hierarquia, mas governam sob a sombra da desconfiança. Há rumores de que um informante da CIA dentro da cúpula venezuelana facilitou a captura de Maduro, criando um clima de paranoia entre os líderes remanescentes.

O presidente americano, Donald Trump, fez declarações ambíguas sobre o futuro. Afirmou que os EUA "vão dirigir a Venezuela, com um grupo de pessoas", mas deixou claro que qualquer líder, incluindo Delcy, deve tomar "as decisões certas". O recado foi direto: "Se não fizer o que é certo, pagará um preço muito alto".

Os Desafios Internos e a Farsa do Poder Militar

A operação que capturou Maduro expôs a fragilidade das forças armadas venezuelanas, descritas no texto como tendo uma "arrasadora superioridade militar americana". Não houve reação significativa durante a captura, um vexame que revelou que as demonstrações de força do regime eram, em grande parte, encenações.

O verdadeiro poder dentro do chavismo, no entanto, pode não estar com Delcy. Figuras como Diosdado Cabello, ministro do Interior que comanda os serviços de segurança e a ligação com os conselheiros cubanos, e o general Vladimir Padrino, ministro da Defesa, controlam os mecanismos de coerção. A pergunta que paira é: quantos "canhões" Delcy Rodríguez realmente comanda?

Enquanto isso, a oposição venezuelana, liderada por María Corina Machado, reivindica que o presidente legítimo é Edmundo González, considerando a interinidade de Delcy uma continuação do regime ilegítimo. No entanto, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, ponderou que, apesar de Machado ser "fantástica", é preciso lidar com a "realidade imediata".

Uma Vitória Incompleta e as Reações Internacionais

Especialistas, como o ex-assessor de Segurança Nacional John Bolton, alertam que a captura de Maduro pode se tornar uma "vitória vazia" se for o único prêmio. O regime chavista, embora decapitado, mantém sua estrutura. Se retaliar contra opositores internos, pode justificar uma nova e mais profunda intervenção americana.

Internacionalmente, as reações foram significativas. A China, representada pelo enviado especial Qiu Xiaoqi – que se encontrou com Maduro poucas horas antes da captura – foi pega de surpresa. Apesar dos bilhões investidos no petróleo venezuelano, analistas sugerem que Pequim pode não estar perdendo completamente, desde que o regime, em alguma forma, se mantenha.

Já o Brasil e a Colômbia reconheceram rapidamente Delcy Rodríguez como presidente interina, uma movimentação criticada por Trump. O presidente americano chegou a chamar a Colômbia de "país doentio", governado por um "homem doentio", em referência ao narcotráfico.

Trump resumiu a queda de Maduro com a gíria FAFO – "se meta a besta para ver o que acontece". O momento atual é de cautela extrema entre os antigos aliados de Maduro, que parecem ter "largado a mão" do ex-presidente para evitar uma "contaminação nuclear" política.

O "dia seguinte" à espetacular operação permanece nebuloso. A comunidade internacional observa se a captura de Maduro foi um ato isolado de força ou o primeiro movimento em um plano maior para redesenhar o futuro da Venezuela. A pressão agora está sobre Delcy Rodríguez e a cúpula chavista, que precisam navegar entre as exigências de Washington, a manutenção do poder interno e as expectativas de um país em crise.