O governo brasileiro informou oficialmente, neste sábado, 10 de janeiro de 2026, que encerrará em breve a custódia da embaixada da Argentina em Caracas, capital da Venezuela. A medida marca o fim de um arranjo diplomático incomum, iniciado em 2024 a pedido do presidente argentino, Javier Milei.
Origem do Acordo Diplomático
A decisão foi comunicada simultaneamente aos governos de Argentina e Venezuela, conforme confirmado à VEJA por fontes do Itamaraty. O Brasil assumiu a proteção e segurança da sede diplomática argentina em 2024, após um pedido direto de Milei.
O contexto foi a decisão do regime de Nicolás Maduro de expulsar diplomatas argentinos do país e intensificar a repressão contra a oposição. Naquele momento, cinco assessores da líder oposicionista María Corina Machado buscaram asilo na embaixada.
Quem São os Refugiados Protegidos
Os cinco membros da equipe de Machado que receberam proteção foram identificados como Magalli Meda, Pedro Urruchurtu, Claudia Macero, Omar González e Humberto Villalobos. Eles permaneceram no local sob a custódia das autoridades brasileiras, que garantiram a integridade do prédio.
Na época, o presidente argentino Javier Milei chegou a agradecer publicamente ao Brasil pela iniciativa. Ele destacou os laços históricos entre as nações e considerou a ação brasileira oportuna, já que a representação diplomática argentina foi obrigada a deixar a Venezuela.
Próximos Passos e Consequências
O comunicado do governo Lula não detalhou uma data exata para a transição, apenas afirmou que a custódia será encerrada em breve. A movimentação é observada com atenção pelo cenário internacional, pois envolve três países com relações políticas complexas.
A medida encerra um capítulo singular na diplomacia regional, onde o Brasil atuou como uma espécie de guardião temporário dos interesses argentinos em território venezuelano. O desfecho dessa custódia agora passa a ser uma questão a ser resolvida diretamente entre Argentina e Venezuela.
O episódio ilustra como alianças e necessidades pragmáticas podem moldar a política externa, mesmo entre governos com visões distintas. A proteção oferecida pelo Brasil, independentemente de divergências internas, cumpriu um papel humanitário e de estabilidade em um contexto de tensão.