Brasil condena repressão violenta no Irã na ONU, mas se abstém em votação sobre investigações
Brasil condena repressão no Irã na ONU, mas se abstém em votação

Brasil condena repressão violenta no Irã na ONU, mas se abstém em votação sobre investigações

A representação brasileira nas Nações Unidas realizou nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, uma declaração histórica durante reunião do Conselho de Direitos Humanos em Genebra, na Suíça. Pela primeira vez, a diplomacia do Brasil condenou oficialmente o uso de força letal contra manifestantes no Irã, marcando uma mudança significativa no posicionamento internacional do país.

Condenação inédita e preocupações expressas

O embaixador do Brasil na ONU, Tovar da Silva Nunes, afirmou durante a sessão que o governo brasileiro condena fortemente o emprego de violência fatal contra protestos pacíficos. Além disso, manifestou preocupação com relatos de prisões arbitrárias e com o fato de crianças terem sido alvo das ações repressivas.

Nunes também destacou que os bloqueios de internet implementados pelas autoridades iranianas violam o direito à liberdade de expressão, incluindo o acesso à informação. Esta declaração ocorre em um contexto onde mais de 5.000 pessoas perderam a vida nos protestos que começaram em 28 de dezembro, segundo dados da agência Human Rights Activists News Agency (HRANA).

Abstenção em votação crucial

Apesar do tom mais firme adotado pelo Brasil, a representação nacional absteve-se na votação de uma resolução apresentada por países críticos ao regime iraniano, incluindo Alemanha e Reino Unido. O documento pedia investigações sobre violações dos direitos humanos no país e foi aprovado por 25 votos a favor, 7 contra e 14 abstenções.

O embaixador brasileiro justificou a posição ao afirmar que apenas o povo iraniano tem o direito soberano de determinar o futuro do país. Esta declaração foi interpretada como uma referência indireta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que recentemente mencionou considerar opções militares na região.

Contexto dos protestos e reações internacionais

Os protestos no Irã começaram em resposta ao aumento do custo de vida e à crise inflacionária que assola o país. Segundo a HRANA, entre as vítimas fatais estão:

  • 4.716 manifestantes
  • 203 pessoas ligadas ao governo
  • 43 crianças
  • 40 civis que não participavam dos atos

Além disso, mais de 26.000 pessoas foram presas durante os confrontos. Enquanto isso, o apagão de internet continua no país, dificultando a circulação de informações e a organização dos protestos.

Posicionamento das autoridades

O alto comissário de direitos humanos da ONU, Volker Türk, instou as autoridades iranianas a reconsiderar, recuar e colocar um fim à sua brutal repressão. Por outro lado, Teerã condenou a reunião do Conselho de Direitos Humanos, acusando os países patrocinadores de nunca terem se importado genuinamente com os direitos dos iranianos.

As autoridades iranianas também criticaram as sanções internacionais impostas ao país, afirmando que essas medidas violam os direitos básicos da população e exacerbam os desafios econômicos que serviram como pano de fundo para as manifestações.

Na quarta-feira anterior à reunião, o governo iraniano havia anunciado o fim dos protestos, embora relatos de organizações independentes continuem a indicar truculência por parte das forças de segurança. Esta situação complexa coloca o Brasil em uma posição diplomática delicada, equilibrando condenações à violência com a defesa da soberania nacional.