Brasil oficializa apoio à candidatura de Michelle Bachelet para Secretária-Geral da ONU
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou publicamente o apoio do Brasil à candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet para o cargo de secretária-geral das Nações Unidas. A indicação foi formalizada nesta segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, em Nova York, e divulgada pelo presidente chileno, Gabriel Boric, em um discurso televisionado que destacou a importância histórica deste momento.
Lula destaca trajetória pioneira e importância de uma mulher na liderança
Em uma publicação na rede social X, anteriormente conhecida como Twitter, Lula expressou seu entusiasmo com a candidatura. "É com muita honra que o Brasil apoia a candidatura de Michelle Bachelet a secretária-geral da ONU", afirmou o presidente brasileiro. Ele enfatizou que, após oito décadas de existência da organização, é tempo de uma mulher assumir o comando máximo, um passo significativo para a igualdade de gênero no cenário internacional.
Lula também elogiou a trajetória de Bachelet, descrevendo-a como "marcada pelo pioneirismo". A política chilena de 74 anos foi a primeira mulher a presidir o Chile, servindo por dois mandatos, além de ter sido a primeira a ocupar os cargos de ministra da Defesa e da Saúde em seu país. Sua experiência no sistema das Nações Unidas inclui papéis fundamentais, como a criação e consolidação da ONU Mulheres, onde atuou como primeira diretora-executiva, e o cargo de alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, onde trabalhou para proteger populações vulneráveis.
México se junta ao Brasil em apoio conjunto à candidatura
Além do Brasil, o México também manifestou seu apoio à candidatura de Bachelet, formando uma coalizão latino-americana para fortalecer sua nomeação. Durante a cerimônia de anúncio em Santiago, Gabriel Boric agradeceu publicamente o apoio dos dois países, destacando a união regional. "Nesta nomeação, não estamos sozinhos. A candidatura que foi inscrita na ONU é apresentada em conjunto com os países irmãos Brasil e México", disse Boric, referindo-se às duas nações mais populosas da América Latina.
O presidente chileno ressaltou que esta candidatura simboliza uma esperança compartilhada de que a América Latina e o Caribe possam ter sua voz ouvida na busca por soluções coletivas para os desafios globais contemporâneos, como conflitos internacionais, desigualdades sociais e retrocessos democráticos.
Contexto político e implicações para a ONU
A posição do Brasil em relação a Bachelet não é surpresa, pois Lula já havia expressado anteriormente seu desejo de ver uma mulher latino-americana liderar as Nações Unidas. Ele argumenta que a "experiência, liderança e compromisso com o multilateralismo" de Bachelet a qualificam para conduzir a organização em um momento crítico da história mundial.
Se eleita, Michelle Bachelet se tornará a primeira mulher a ocupar o cargo de secretária-geral da ONU, um marco que poderia inspirar mudanças na governança global e ampliar a representação de gênero e região. Sua candidatura é vista como uma oportunidade para reforçar a agenda de direitos humanos, igualdade e sustentabilidade ambiental, temas que ela defendeu ao longo de sua carreira.
Este apoio conjunto do Brasil e do México sublinha a crescente influência da América Latina na política internacional e o papel ativo que Lula busca desempenhar em fóruns multilaterais, promovendo uma visão de cooperação e justiça social em escala global.