Ex-presidente da Fifa emite alerta sobre segurança nos Estados Unidos
O ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, utilizou suas redes sociais nesta segunda-feira, 26 de janeiro de 2026, para emitir um conselho direto aos torcedores de futebol: evitem viajar para os Estados Unidos durante a Copa do Mundo de 2026. O dirigente suíço, que comandou a entidade máxima do futebol mundial entre 1998 e 2015, expressou preocupações significativas com as condições que os visitantes poderão enfrentar no país sede do evento.
Referência a especialista em corrupção reforça alerta
Em sua publicação na rede social X, Blatter fez referência direta ao advogado Mark Pieth, renomado especialista em casos de corrupção que trabalhou para a própria Fifa entre 2011 e 2014. Pieth concedeu uma entrevista ao jornal suíço Tagesanzeiger onde questionou abertamente a realização da Copa do Mundo nos Estados Unidos.
"O que estamos vivendo no plano interno – a marginalização dos opositores políticos, os abusos por parte dos serviços de imigração, etc. – dificilmente incentiva os torcedores a irem para lá", afirmou Pieth sobre a situação atual norte-americana. O especialista complementou seu alerta com uma recomendação prática: "É melhor assistir pela TV. Ao chegarem, os torcedores deverão esperar que, se não se comportarem adequadamente com as autoridades, serão mandados de volta para casa imediatamente".
Contexto político amplia tensões pré-Copa
O alerta de Blatter e Pieth surge em um momento particularmente delicado nas relações internacionais. As declarações coincidem com as tensões decorrentes do desejo do presidente americano Donald Trump de anexar a Groenlândia e das ameaças de aumento de tarifas contra países europeus que se opõem às políticas norte-americanas.
Este cenário político conturbado tem gerado na Europa apelos crescentes para um possível boicote – ou até mesmo cancelamento – da Copa do Mundo de 2026, que será sediada conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá entre 11 de junho e 19 de julho daquele ano.
Posicionamento oficial da federação francesa
Enquanto as discussões sobre boicote ganham força em alguns setores europeus, o presidente da Federação Francesa de Futebol, Philippe Diallo, já se posicionou contra tal medida. Em entrevista ao jornal Ouest-France publicada no domingo anterior às declarações de Blatter, Diallo foi categórico: "Não há qualquer intenção por parte da Federação Francesa de Futebol de boicotar a Copa do Mundo nos Estados Unidos".
Trajetória polêmica do ex-presidente da Fifa
Joseph Blatter, atualmente com 89 anos, renunciou à presidência da Fifa em 2015 em meio a uma série de escândalos de corrupção que abalaram a entidade. Na ocasião, ele foi acusado de fraude junto com o então presidente da Uefa, Michel Platini. Ambos foram definitivamente absolvidos pela Justiça da Suíça apenas em 2025, após anos de processos judiciais.
Desde sua saída da Fifa, Blatter tem sido um crítico aberto e constante de seu sucessor, Gianni Infantino, mantendo-se ativo no debate sobre os rumos do futebol mundial. Suas declarações sobre a Copa de 2026 reforçam esta postura de intervenção nos assuntos da entidade que comandou por 17 anos.
O alerta do ex-dirigente coloca em evidência não apenas questões de segurança para torcedores, mas também o complexo cenário geopolítico que envolve a organização de megaeventos esportivos em um mundo cada vez mais polarizado.