Tratado nuclear entre EUA e Rússia expira em uma semana com risco de corrida armamentista
O mundo enfrenta uma situação crítica no cenário geopolítico internacional, com o tratado New Start entre Estados Unidos e Rússia prestes a expirar em apenas sete dias. Este acordo, estabelecido em 2010, foi criado para impor limites rigorosos na quantidade de ogivas nucleares mantidas por ambas as potências, mas a falta de interesse dos líderes atuais em renová-lo levanta preocupações globais sobre uma possível nova corrida armamentista nuclear, a mais significativa desde o período da Guerra Fria.
Desvantagem americana em números e tecnologia
De acordo com o especialista em segurança e estratégia internacional, Ricardo Cabral, entrevistado pelo Conexão Record News, os Estados Unidos possuem um arsenal nuclear estimado em pouco mais de 5.000 ogivas, enquanto a Rússia detém quase 6.000 unidades. Além da vantagem numérica, Cabral destaca que a Rússia também supera os americanos em termos de eficiência tecnológica, com o desenvolvimento de sistemas avançados como os modelos Oreshnik, Burevestnik e o torpedo Poseidon.
O analista revela que, originalmente, estava programado um programa de 30 anos para a atualização completa do sistema nuclear norte-americano, com a introdução de novas bombas e mísseis após o governo Bush (2001-2009). No entanto, este processo foi significativamente atrasado durante a administração do presidente Barack Obama, criando uma lacuna estratégica que persiste até os dias atuais.
Proposta russa de congelamento e resistência americana
Enquanto o presidente russo Vladimir Putin propôs que ambos os lados mantenham os limites atuais de mísseis e ogivas por mais um ano para permitir negociações mais detalhadas, os Estados Unidos demonstram resistência a esta ideia. Políticos americanos argumentam que Washington precisa expandir seu arsenal para compensar o rápido desenvolvimento nuclear da China, que possui aproximadamente 600 ogivas nucleares.
Cabral explica que a vantagem adquirida pelos russos praticamente força os americanos a não aceitarem um congelamento de armas. Em vez disso, os EUA prefeririam incluir suas novas armas em um novo tratado, uma proposta que encontra resistência por parte da Rússia, que se sente ameaçada na Europa e utiliza seu arsenal nuclear como ferramenta de dissuasão contra potenciais inimigos.
Consequências da expiração do tratado
A expiração do New Start sem um acordo de substituição poderia desencadear uma corrida armamentista descontrolada, com ambas as potências buscando ampliar e modernizar seus arsenais nucleares sem qualquer tipo de limitação ou supervisão internacional. Esta situação representa um risco significativo para a segurança global, especialmente considerando as tensões geopolíticas existentes e a possibilidade de escalada de conflitos regionais.
O especialista também mencionou que especulações sobre a inclusão dos arsenais do Reino Unido e da França em um possível acordo de controle foram desmentidas pelos russos, limitando ainda mais as opções para um acordo abrangente que envolva todas as potências nucleares relevantes.
A falta de posicionamento claro do ex-presidente Donald Trump, que afirmou que "se o acordo expirar, ele expira", é vista por Cabral como parte de uma estratégia para compensar o atraso tecnológico americano, permitindo que os EUA desenvolvam suas capacidades nucleares sem as restrições impostas pelo tratado.