5 anos após ataque ao Capitólio, apoiadores de Trump voltam às ruas de Washington
Apoiadores de Trump marcham em Washington após 5 anos do 6 de janeiro

Cinco anos após o episódio que abalou a democracia norte-americana, apoiadores do ex-presidente Donald Trump retornaram às ruas de Washington nesta segunda-feira, 6 de janeiro de 2026. O ato, que reuniu dezenas de manifestantes, reacendeu as tensões políticas e as disputas sobre a narrativa histórica da invasão ao Capitólio em 2021.

Marcha em memória de Ashli Babbitt reúne figuras polêmicas

A manifestação foi organizada como uma homenagem a Ashli Babbitt, a militante pró-Trump que foi morta por um policial do Capitólio quando tentava invadir o prédio do Congresso. Entre os participantes estava uma figura central nos eventos de 2021: Enrique Tarrio, ex-líder do grupo extremista Proud Boys, que foi condenado por seu papel na organização do ataque.

Nos discursos proferidos antes do início da caminhada, os organizadores e simpatizantes apresentaram Babbitt como uma vítima de abuso policial. Eles repetiram acusações de que autoridades e a mídia distorceram os fatos reais do que aconteceu naquele dia fatídico. O protesto, no entanto, não terminou de forma pacífica. Um confronto com um contramanifestante levou a uma confusão, resultando na detenção dessa pessoa pela polícia local.

Reação democrata: críticas ao revisionismo histórico e aos perdões

No mesmo dia da manifestação, parlamentares do Partido Democrata reforçaram suas condenações ao que classificam como uma tentativa de reescrever a história. Através de publicações em redes sociais, líderes da legenda afirmaram que o 6 de janeiro foi uma insurreição contra a ordem democrática e atacaram diretamente os perdões concedidos por Trump no início de seu segundo mandato.

A senadora Tammy Baldwin, de Wisconsin, foi uma das vozes mais incisivas. "O presidente fez de tudo para apagar o que aconteceu naquele dia, inclusive libertando centenas de pessoas que agrediram policiais", escreveu ela. Já o senador Dick Durbin, de Illinois, declarou com convicção que "a verdade histórica vai prevalecer sobre mentiras e distorções".

O deputado Steny Hoyer, de Maryland, foi ainda mais direto em sua crítica a Trump. Em uma nota oficial, ele classificou o ex-presidente como um líder que incentivou diretamente a violência. Hoyer afirmou que Trump convocou seus apoiadores a "lutar com todas as forças" para impedir a certificação da eleição de 2020 e permaneceu inerte enquanto o Congresso era atacado. Para ele, o episódio representou uma ameaça direta à Constituição americana.

O fantasma dos perdões coletivos

As manifestações em Washington reacenderam o debate sobre uma das medidas mais controversas do segundo mandato de Trump: o perdão coletivo concedido a aproximadamente 1.500 pessoas que foram investigadas ou condenadas por crimes relacionados à invasão do Capitólio.

A senadora Angela Alsobrooks não poupou palavras ao comentar a ação, chamando-a de "vergonhosa" e "antiamericana". Em sua avaliação, a medida mina a confiança do público nas instituições do país e, de forma perigosa, normaliza a violência política como uma ferramenta aceitável de disputa.

Este cenário de tensão renovada coincide com a divulgação de trechos do depoimento do ex-promotor federal Jack Smith ao Congresso. Segundo Smith, existiam provas suficientes para acusar Donald Trump de liderar uma tentativa criminosa de reverter o resultado das eleições de 2020 e impedir a transição pacífica de poder. No entanto, esse processo judicial foi interrompido após a vitória de Trump nas eleições presidenciais de 2024, deixando uma questão histórica em aberto.

O ato desta segunda-feira demonstra que, mesmo após meio decênio, as feridas do 6 de janeiro permanecem abertas. A batalha pela memória do que aconteceu naquele dia continua a dividir a sociedade norte-americana e a definir os contornos de sua política, com consequências que ainda estão longe de um desfecho claro.