Pesquisa revela: só 17% dos americanos apoiam Trump na compra da Groenlândia
Apenas 17% dos EUA apoiam Trump na Groenlândia

Uma pesquisa de opinião divulgada nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, revela que a grande maioria dos cidadãos dos Estados Unidos não endossa os esforços do presidente Donald Trump para adquirir a Groenlândia. O levantamento, conduzido pela Reuters em parceria com o instituto Ipsos, mostra que apenas 17% dos americanos apoiam a ambição do mandatário republicano pelo território ártico controlado pela Dinamarca.

Rejeição generalizada e preocupação com a Otan

O estudo, que ouviu mais de 1.200 adultos entre os dias 12 e 13 de janeiro, registra uma clara resistência da população às intenções da Casa Branca. Quase metade dos entrevistados, 47%, desaprova explicitamente as ações dos EUA para obter o controle da ilha.

A rejeição se torna ainda mais expressiva quando o assunto é o uso da força. 71% dos americanos consideram que uma ação militar na Groenlândia não é uma boa ideia, com apenas 4% apoiando essa possibilidade. Apesar de parecer uma opção distante, a via militar não foi descartada por uma administração que vê a ilha como vital para seus interesses estratégicos globais.

Um dos pontos de maior preocupação levantados pela pesquisa é o impacto na Aliança Atlântica. Cerca de 66% dos entrevistados afirmaram estar apreensivos com um possível abalo na Otan. Essa preocupação corta as linhas partidárias, atingindo 91% dos democratas e 40% dos republicanos consultados.

Divisão partidária e a visão estratégica de Trump

Analisando os dados por filiação política, a pesquisa da Reuters/Ipsos destaca uma divisão característica. Enquanto Trump conta com o apoio de aproximadamente dois terços dos republicanos (4 em cada 6) em seus esforços para adquirir o território, apenas 8% dos simpatizantes do partido veem uma invasão militar com bons olhos.

Do lado democrata, a resistência é quase total. Apenas 2% aprovam os esforços de Trump e somente 1% encara favoravelmente uma ação militar. Desde seu retorno à Casa Branca, o presidente tem intensificado a retórica sobre assumir o controle da Groenlândia, um território autônomo dinamarquês.

A justificativa apresentada pela administração americana é de natureza geopolítica. Trump enxerga a movimentação como uma forma de evitar que potências rivais, como China ou Rússia, estabeleçam presença na ilha no futuro. Autoridades dos EUA chegaram a discutir meios para concretizar o plano, incluindo o pagamento de quantias fixas aos moradores para incentivá-los a se separar da Dinamarca.

Reações internacionais e próximos passos

As declarações de Trump, antes vistas como bravatas, ganharam um novo peso após a recente ação americana na Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro. O episódio deixou lideranças europeias receosas de que a Groenlândia possa ser o próximo alvo de Washington.

Em resposta às ameaças veladas, Copenhague emitiu um alerta severo: uma ação militar contra a Groenlândia significaria o fim da Otan, a organização de defesa que é um pilar do Ocidente desde a Guerra Fria.

O cenário de tensão levou a um encontro diplomático agendado para esta quarta-feira. O vice-presidente americano JD Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio, devem se reunir com os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia para discutir a situação.

A reunião ocorre em um momento crucial, um dia após o primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, reafirmar publicamente que a ilha "escolheu" permanecer como parte do Reino da Dinamarca. A Groenlândia, rica em recursos minerais e com uma posição estratégica entre o Atlântico Norte e o Ártico, permanece no centro de uma complexa disputa geopolítica, com a opinião pública americana majoritariamente contrária aos planos de sua própria liderança.