A primeira pesquisa Genial/Quaest do ano de 2026 pintou um cenário complexo para o eleitorado brasileiro, revelando índices de rejeição alarmantes para os dois principais nomes que emergem na disputa presidencial. Os dados indicam que o país pode ser conduzido a um segundo turno entre os candidatos mais rejeitados, limitando drasticamente as opções dos cidadãos.
Números da rejeição: um retrato do descontentamento
De acordo com o levantamento, realizado em janeiro de 2026, 54% dos entrevistados afirmam conhecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e declararam que não votariam nele nas eleições de outubro daquele ano. Do outro lado do espectro político, a situação é similar: 55% dos pesquisados dizem conhecer Flávio Bolsonaro e também não votariam no filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os índices de intenção de voto positivos ficam bem abaixo desses patamares de rejeição. Apenas 43% dos que conhecem Lula afirmam que votariam no petista. Para Flávio Bolsonaro, o percentual é ainda menor, com 34% de intenção de voto entre aqueles que o conhecem. A pesquisa também mediu o desconhecimento: Lula é desconhecido por 3% dos entrevistados, enquanto Flávio Bolsonaro não é conhecido por 11%.
Estratégias de campanha em um cenário polarizado
Analisando o panorama, especialistas apontam que tanto o petismo quanto o bolsonarismo parecem contar com suas bases eleitorais mais fiéis, as chamadas "torcidas organizadas", para forçar um segundo turno entre os dois polos. A expectativa é que esses eleitores incondicionais garantam votos suficientes para que Lula e Flávio Bolsonaro avancem para a etapa decisiva, mesmo com altas taxas de rejeição geral.
As projeções indicam que Flávio Bolsonaro deve seguir um roteiro semelhante ao utilizado por seu pai em 2018, centrando sua campanha em um único e claro objetivo: a derrota de Lula e do PT. Já a estratégia petista, conforme análise, tende a ser retrospectiva, focando em relembrar os momentos mais conturbados do governo Bolsonaro, enquanto se posiciona como a opção "menos pior" para conduzir o país.
Um desafio para a teoria política
Os números apresentam um paradoxo para as teorias eleitorais tradicionais. Historicamente, candidatos com rejeição superior a 40% são considerados de difícil eleição. No entanto, tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro desafiam essa lógica, com rejeições que ultrapassam a marca dos 50% e, ainda assim, com reais chances de se enfrentarem no segundo turno.
Este cenário levanta uma questão crucial para o centro político e para outros setores da sociedade: quanto tempo essas forças vão esperar para apresentar ao eleitorado uma proposta de governo alternativa, que não esteja vinculada ao petismo ou ao bolsonarismo? A pesquisa deixa claro o anseio por uma terceira via, mas a materialização dessa opção ainda parece distante no horizonte político de 2026.
O quadro é, portanto, de uma eleição definida mais pela rejeição ao oponente do que pela aprovação de um projeto próprio. Resta aos eleitores acompanharem se este panorama se mantém ou se transforma com o desenrolar da campanha.