Especialista analisa como aliança Reino Unido-China afeta relações com EUA e Trump
Aliança Reino Unido-China incomoda Trump, diz especialista

Visita histórica do primeiro-ministro britânico à China após oito anos

Desde 2018, nenhum primeiro-ministro do Reino Unido havia realizado uma visita oficial à China. Este intervalo de oito anos testemunhou transformações profundas no cenário político e econômico britânico. O país completou seu processo de saída da União Europeia, viu cinco diferentes líderes assumirem o cargo máximo no parlamento e enfrentou uma série de ameaças e tarifas comerciais impostas por um de seus mais antigos aliados: os Estados Unidos.

Objetivo estratégico da viagem de Keir Starmer

Foi justamente para proteger a economia nacional e buscar novos parceiros comerciais que Keir Starmer, o atual primeiro-ministro britânico, decidiu romper este longo hiato diplomático. Sua viagem à China, iniciada nesta terça-feira (27), tem duração programada de três dias e inclui uma agenda intensa de reuniões entre executivos e governantes dos dois países.

O ponto alto da visita será o encontro entre Starmer e o presidente chinês Xi Jinping, marcado para esta quarta-feira (28). Após concluir seus compromissos na China, o roteiro internacional do líder britânico continua com uma viagem ao Japão, onde realizará mais reuniões focadas em ampliar acordos comerciais.

Análise especializada sobre o impacto nas relações internacionais

Segundo Vitélio Brustolin, pesquisador de Harvard e professor de relações internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF), as tentativas do Reino Unido de reduzir sua dependência econômica e política dos Estados Unidos estão gerando desconforto significativo na administração de Donald Trump.

"O Reino Unido é um parceiro estratégico crucial para os Estados Unidos, inclusive em questões sensíveis como inteligência e segurança nacional", explica Brustolin em entrevista ao Conexão Record News. "E a China é vista claramente como um oponente direto dos interesses americanos. Esta percepção não se baseia apenas em declarações do presidente Trump, mas está formalizada em diversos documentos oficiais, como as Estratégias Nacionais de Segurança e Defesa dos Estados Unidos, que explicitamente apontam a China como adversária."

Contexto geopolítico mais amplo

O especialista também destaca a importância da nova Estratégia Nacional de Defesa dos Estados Unidos, documento que estabelece como um dos principais objetivos do país conter o avanço e a influência global da China. Esta posição oficial americana cria um cenário geopolítico complexo, onde iniciativas de aproximação entre outras potências ocidentais e a China são vistas com preocupação em Washington.

A visita de Starmer representa, portanto, não apenas uma manobra econômica, mas um reposicionamento estratégico do Reino Unido no tabuleiro geopolítico global. Enquanto busca diversificar suas parcerias comerciais e reduzir vulnerabilidades, o governo britânico navega em águas diplomáticas sensíveis, equilibrando relações históricas com os Estados Unidos e novas oportunidades com a China.