Aliados de Trump temem expansão da intervenção dos EUA na América Latina após Venezuela
Aliados de Trump temem expansão da intervenção dos EUA na América Latina

Aliados de Trump temem que operações dos EUA não parem na Venezuela, alerta analista

Uma recente reunião entre líderes latino-americanos no Panamá, que incluiu o presidente Lula, demonstra uma preocupação regional crescente com as ações dos Estados Unidos na Venezuela. Segundo análise do professor de relações internacionais da ESPM, Leonardo Trevisan, há um temor generalizado de que as medidas intervencionistas norte-americanas possam se expandir para outros países da América Latina.

Contexto da tensão diplomática

A lealdade da líder venezuelana Delcy Rodríguez tem sido questionada pelos Estados Unidos após a análise de relatórios de inteligência. Autoridades americanas declararam publicamente que desejam que Rodríguez rompa relações com o Irã, China e Rússia, incluindo a expulsão de diplomatas dessas nações das embaixadas na Venezuela.

Embora Delcy não tenha se manifestado oficialmente sobre esse plano específico, no final de semana ela declarou estar farta das ordens de Washington e pediu pelo fim da interferência dos EUA na política do país. Essa postura, segundo o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, pode custar caro para a Venezuela.

Ameaça de uso da força

Em uma comissão do Senado onde explicou a operação que levou à captura de Nicolás Maduro, Rubio alertou que os Estados Unidos estão prontos para usar a força e assegurar a máxima cooperação se outros métodos falharem. Essa declaração foi interpretada por especialistas como uma ameaça que assegura uma espécie de direito para os Estados Unidos interferirem nas três Américas.

Trevisan se refere a essa postura como a Doutrina Donroe, uma evidente referência à histórica Doutrina Monroe, mas agora sob a égide do ex-presidente Donald Trump. O termo simboliza uma política externa mais assertiva e intervencionista por parte dos Estados Unidos na região.

Preocupação entre aliados

Durante entrevista ao Conexão Record News, Leonardo Trevisan analisou que a reunião no Panamá reflete a atenção que está sendo dada ao que acontece na Venezuela. Todos os presidentes sabem que é muito difícil frear os Estados Unidos depois que eles começam uma medida de intervenção, afirmou o especialista.

Essa realidade preocupa governantes em toda a América Latina, incluindo aqueles tradicionalmente alinhados com os interesses norte-americanos. Não duvido que até mesmo presidentes aliados de Trump, como Javier Milei, estão preocupados, destacou Trevisan.

O professor concluiu com um alerta sombrio: a política de intervenção, de dar ordens na terra dos outros, pode não parar na Venezuela. Essa perspectiva de expansão das operações norte-americanas para além das fronteiras venezuelanas gera apreensão entre líderes regionais que temem ver sua soberania comprometida.

Implicações regionais

A análise sugere que:

  • A reunião de líderes latino-americanos representa uma resposta coordenada às ações dos EUA
  • Há um consenso sobre a dificuldade de conter intervenções norte-americanas uma vez iniciadas
  • Até governantes aliados de Trump compartilham preocupações sobre a escalada intervencionista
  • A política externa dos EUA sob influência trumpista pode redefinir relações hemisféricas

O cenário descrito por Trevisan aponta para um período de incerteza e tensão diplomática na América Latina, onde a soberania nacional pode enfrentar desafios sem precedentes frente à política externa norte-americana renovada.