Ali Khamenei: a trajetória do líder supremo que moldou o Irã teocrático
Ali Khamenei: do discípulo ao líder supremo do Irã

Ali Khamenei: a ascensão do líder supremo que redefiniu o Irã

Nascido em 1939 em Mashhad, no nordeste iraniano, Ali Hosseini Khamenei cresceu em um ambiente religioso desde a infância. Filho de um clérigo, aos quatro anos já estudava o Alcorão, iniciando uma trajetória que o levaria ao centro do poder no país. Sua formação ocorreu em um Irã que, sob o Xá Reza Pahlevi, mantinha relações próximas com o Ocidente, um cenário que ele e outros religiosos passaram a condenar veementemente.

Da oposição ao Xá à Revolução Islâmica

Khamenei se uniu a clérigos que criticavam a monarquia autoritária do Xá e seu alinhamento com os Estados Unidos, Israel e costumes ocidentais, como o uso de minissaia pelas mulheres. Tornou-se discípulo do aiatolá Ruhollah Khomeini, figura central na oposição ao regime e líder da Revolução Islâmica de 1979. Esse movimento marcou uma guinada radical na história iraniana, estabelecendo um governo teocrático que transformou a política externa do país.

O novo regime passou a tratar os Estados Unidos como "Grande Satã" e a pregar o fim do Estado de Israel, além de financiar grupos extremistas como o Hamas e o Hezbollah. Khamenei foi nomeado vice-ministro da defesa e, em 1981, eleito presidente, mesmo após sofrer um atentado que comprometeu os movimentos de sua mão direita.

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A sucessão inesperada e o comando supremo

Durante a guerra Irã-Iraque, que durou oito anos, Khamenei chamou a atenção de Khomeini por sua atuação. Com a morte do aiatolá em 1989, em meio à comoção nacional, Ali Khamenei foi escolhido como sucessor, assumindo o título de líder supremo do Irã. A decisão surpreendeu muitos, pois ele não era considerado favorito devido à sua participação menos ativa na revolução.

Desde então, Khamenei consolidou seu poder com mão de ferro, reprimindo diversas ondas de protestos e perseguindo opositores. Em 2009, esmagou a "Revolução Verde", movimento que contestava a reeleição do ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad. Em 2022, a morte da jovem Mahsa Amini, detida por usar o véu islâmico incorretamente, desencadeou novas manifestações, novamente sufocadas com violência.

Desafios atuais e o futuro do regime

No início de 2026, a oposição acusou o governo de matar até 30 mil pessoas em protestos contra a desvalorização do rial, a moeda iraniana. Apesar da repressão, as manifestações só cresceram, com multidões gritando "morte ao líder supremo". Cerca de 60% da população iraniana nasceu após a revolução, e muitos não se identificam mais com o autoritarismo dos aiatolás, tanto na política quanto nos costumes.

A trajetória de Khamenei reflete a transformação do Irã de uma nação liberal e pró-Ocidente para um Estado teocrático e antagônico aos Estados Unidos e Israel. Seu legado, marcado por repressão e conflitos, continua a moldar o destino do país em meio a crescentes pressões internas.

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