O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, que uma eventual imposição de sanções dos Estados Unidos contra o Irã não deve ter impacto significativo nas relações comerciais brasileiras.
Relação comercial pequena e contexto global
A declaração foi dada durante participação no programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Alckmin destacou que o volume de negócios entre Brasil e Irã é reduzido, minimizando os efeitos potenciais de uma medida punitiva norte-americana.
"Os Estados Unidos colocaram que não querem que haja comércio com o Irã. Mas o Irã tem 100 milhões de pessoas", ponderou o ministro. Ele lembrou que nações europeias e diversos outros países mantêm exportações para o território iraniano, o que tornaria uma aplicação ampla de sanções complexa.
Segundo sua avaliação, uma "super tarifação" teria que ser aplicada em mais de 70 países, incluindo potências europeias, o que configura uma lógica regulatória distinta e de difícil implementação.
Ausência de ordem executiva e defesa da paz
Alckmin observou que, até o momento, o governo do presidente norte-americano Donald Trump não emitiu nenhuma ordem executiva concreta que imponha as sanções anunciadas. "Esperamos que não seja aplicada", declarou, expressando a expectativa de que a medida não se concretize.
O ministro aproveitou para reforçar o posicionamento histórico do Brasil como nação pacífica. "No Brasil, a última guerra tem mais de um século. O Brasil é um país de paz e, sempre que pode, atua promovendo a paz", afirmou. Ele foi enfático ao criticar os conflitos: "Guerra leva à morte, leva à pobreza. É a falência da boa política".
Momento para o Brasil no cenário internacional
Classificando o atual cenário geopolítico como "um momento difícil para o mundo", Alckmin defendeu que esta é uma oportunidade para o Brasil ter sua voz mais ouvida. A estratégia brasileira, segundo ele, passa por fortalecer o multilateralismo e focar em melhorar a vida da população através da geração de emprego e renda.
"Vamos promover a paz, fortalecer o multilateralismo, tratar de melhorar a vida do povo através do emprego e da melhora de renda. Esse é o bom caminho e é isso que o Brasil está trilhando", concluiu o vice-presidente.
A entrevista contou com a colaboração de repórteres e da Agência Brasil, consolidando a posição oficial do governo brasileiro sobre o tema das tensões internacionais e suas possíveis repercussões econômicas.