AIE libera 400 milhões de barris de petróleo após ameaça iraniana de fechar Estreito de Ormuz
AIE libera 400 milhões de barris após ameaça iraniana em Ormuz

Maior liberação de reservas da história tenta estabilizar mercado após ameaça iraniana

A Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou nesta quarta-feira (11/3) a liberação de 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas, em resposta à ameaça do Irã de fechar completamente o Estreito de Ormuz. A medida, descrita como "sem precedentes" pelo diretor-executivo Fatih Birol, visa compensar a perda de suprimento causada pelo bloqueio de fato deste corredor marítimo crucial, que normalmente escoa mais de 20% do transporte global de petróleo.

Decisão unânime dos 32 países membros

Birol afirmou que os 32 países membros da AIE votaram unanimemente a favor desta que é a maior liberação de reservas da história da agência. A organização, que coordena a política energética de nações industrializadas, inclui em sua lista a maior parte da Europa Ocidental, além de Austrália, Canadá, Japão, Coreia do Sul, México, Nova Zelândia, Turquia e Estados Unidos. O Brasil é considerado um país "em vias de adesão" ao grupo.

"Os desafios que enfrentamos no mercado do petróleo são de uma escala sem precedentes; portanto, fico extremamente satisfeito que os países membros da AIE tenham respondido com uma ação coletiva de emergência de magnitude igualmente sem precedentes", declarou o diretor-executivo. A agência especificou que as reservas de emergência estarão disponíveis no mercado dentro de um prazo adequado às circunstâncias nacionais de cada país membro.

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Equivalência e contexto histórico

Os 400 milhões de barris equivalem a:

  • Quatro dias de consumo mundial de petróleo
  • O volume que, em circunstâncias normais, flui pelo Estreito de Ormuz em 20 dias

Esta é a sexta vez que a AIE aprova uma liberação coordenada de reservas, depois de ações similares em 1991, 2005, 2011 e duas vezes em 2022. Segundo dados da própria agência, seus membros mantêm reservas de emergência superiores a 1,2 bilhão de barris, além de outros 600 milhões armazenados pela indústria petrolífera em cumprimento de obrigações legais.

Impacto nos preços e ameaça iraniana

Os preços dos barris Brent e WTI estavam na faixa dos US$ 60 antes do início da guerra no Irã, mas o conflito chegou a elevar o valor para acima de US$ 100. Embora tenha se moderado para a faixa de US$ 80–90 nos últimos dias, o preço da gasolina subiu em quase todos os países, levando governos a considerarem medidas de contingência.

O regime iraniano, por sua vez, anunciou que pôs fim à sua política de ataques militares recíprocos para se concentrar no bloqueio do Estreito de Ormuz. O porta-voz Ebrahim Zolfaqari declarou que o Irã não permitirá que "nem um único litro de petróleo" atravesse o estreito com destino aos Estados Unidos, Israel e seus aliados.

"Preparem-se para que o barril de petróleo chegue a US$ 200, porque o preço do petróleo depende da segurança regional que vocês desestabilizaram", ameaçou Zolfaqari, em comunicado do quartel-general do comando militar Khatam al Anbiya, em Teerã.

Reação norte-americana e situação regional

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou o aumento dos preços como uma "questão de guerra" e afirmou que os mercados financeiros devem "voltar ao normal" em breve. Ele assegurou que suas forças militares "atacaram 28 'navios mineiros' até o momento", referindo-se a embarcações iranianas supostamente destinadas a atacar navios comerciais com minas em Ormuz.

Enquanto isso, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) advertiu civis iranianos para "evitarem imediatamente" todos os portos ao longo do estreito onde operam as forças navais do país, afirmando que portos civis utilizados para fins militares se tornam "alvos militares legítimos".

Alternativas dos produtores do Golfo

Diante da crise, países produtores da região buscam alternativas para lidar com o fechamento do Estreito de Ormuz:

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  1. Arábia Saudita está aumentando o fluxo através de sua rede de oleodutos Leste–Oeste, que transporta petróleo dos campos do Golfo até terminais no Mar Vermelho
  2. Emirados Árabes Unidos utilizam o Oleoduto de Petróleo Bruto de Abu Dhabi para enviar petróleo até o porto de Fujairah, no Golfo de Omã
  3. Kuwait e Iraque, sem alternativas similares, já começaram a reduzir a produção

O diretor-executivo da gigante petrolífera saudita Aramco, Amin Nasser, confirmou que estão aumentando o fluxo até a capacidade máxima de aproximadamente 7 milhões de barris diários. No entanto, mesmo operando em plena capacidade, os oleodutos administrados pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos transportariam menos da metade do petróleo que normalmente passa pelo Estreito de Ormuz.

Nasser descreveu a interrupção atual como "a maior crise que a indústria de petróleo e gás da região já enfrentou", enquanto o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que a guerra "continuará por tempo indeterminado", até que todos os objetivos da campanha conjunta israelense-americana sejam alcançados.