Em meio a uma crescente disputa diplomática com a China, o Japão selou um acordo significativo com os Estados Unidos para intensificar a produção conjunta de equipamentos de defesa. O movimento, analisado por especialistas, é interpretado como um claro aviso às ambições de Pequim na região, especialmente em relação a Taiwan.
Detalhes do acordo de defesa
O pacto, fechado nesta sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, prevê um aumento substancial na fabricação cooperativa de material bélico. Entre os pontos centrais do acordo estão a produção conjunta de mísseis e a expansão da presença militar nas águas do sudoeste do Japão.
Além disso, os dois aliados concordaram em aprofundar a cooperação em cadeias de suprimentos consideradas estratégicas, como a de minerais críticos, essenciais para a indústria de defesa moderna. A medida reforça os laços de segurança entre Tóquio e Washington em um momento de tensões regionais.
Um recado direto a Pequim
Para o especialista em relações internacionais Vitelio Brutolin, que concedeu uma entrevista ao Conexão Record News, a mensagem do acordo é inequívoca. "A avaliação é que isso é um alerta à China", afirmou Brutolin.
O analista lembrou as recentes declarações da nova primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, que deixou claro que um ataque chinês a Taiwan seria respondido pelo Japão. "O Japão hoje é um grande aliado dos Estados Unidos na região da Ásia Pacífico, e é claro que a China não gosta disso que está acontecendo", completou.
Contexto de tensões históricas
A decisão ocorre após o início de uma disputa diplomática acirrada entre Japão e China, desencadeada por uma polêmica envolvendo Taiwan. Em resposta aos movimentos de aproximação entre Tóquio e Washington, a China tem realizado uma série de exercícios militares de grande porte nas proximidades do território taiwanês.
Brutolin ressaltou a complexidade da relação bilateral: "São nações vizinhas, mas que não têm historicamente um bom relacionamento". A parceria militar reforçada entre EUA e Japão insere-se, portanto, em um cenário geopolítico delicado, marcado por desconfianças mútuas e uma corrida por influência na Ásia-Pacífico.
O acordo representa um novo capítulo na postura de defesa do Japão, que tem buscado um papel mais ativo na segurança regional ao lado de seu principal aliado, os Estados Unidos, enquanto a China observa e reage aos desenvolvimentos.