Cerca de 70 mil brasileiros enfrentam situação crítica no Oriente Médio
Aproximadamente setenta mil cidadãos brasileiros vivem atualmente no Oriente Médio, região que enfrenta uma grave crise de segurança com ataques constantes e restrições de comunicação. Segundo informações do Itamaraty, esse número expressivo de compatriotas está distribuído por diversos países da região, muitos deles diretamente afetados pelos recentes conflitos.
Comunicação cortada e alertas de segurança no Irã
No Irã, a situação é particularmente preocupante, com a internet completamente cortada, dificultando ainda mais o contato com as autoridades brasileiras. O embaixador do Brasil em Teerã, André Vera Guimarães, em entrevista concedida via comunicação satelital ao Jornal Nacional, foi enfático ao descrever o cenário local: "Os ataques são sempre muitos, variados, em várias localidades da cidade, com várias bombas. Aqui, a gente vê, umas são mais fortes que as outras. É bom não sair às ruas. O risco é muito grande. É ficar em casa porque é a única proteção que se tem agora".
O diplomata brasileiro destacou ainda que qualquer pedido de assistência precisa ser feito presencialmente devido às limitações de comunicação. Até o momento, apenas seis brasileiros que integravam uma equipe de futebol em Teerã conseguiram atravessar a fronteira com a Turquia, sem que outros compatriotas tenham manifestado interesse em deixar o país.
Turistas brasileiros retidos nos Emirados Árabes
Em outra frente, o embaixador Mauro Vieira manteve contato telefônico nesta segunda-feira, dia 2, com o chanceler dos Emirados Árabes Unidos para tratar do impacto direto sobre turistas brasileiros que visitam aquele país ou estão retidos nos aeroportos de Dubai e Abu Dhabi. Entre os afetados está o ator João Ricardo Karamekian, que viajava em cruzeiro em Dubai com familiares e relatou: "Estou falando com vocês aqui da cabine do cruzeiro. Estamos ainda atracados no porto de Dubai. Continuamos assim, sem previsões para voltar para o Brasil".
Famílias brasileiras em Israel vivem sob tensão constante
No centro-norte de Israel, o guia de turismo Leonardo Leizerovith reside em Harish com a esposa e o filho. A família não pretende abandonar o país, mas enfrenta dias de extrema tensão devido à proximidade com bases militares e sistemas de defesa. Ele descreve a angústia vivida: "Do lado de onde eu moro tem uma base militar e dessa base militar tem o sistema de defesa chamado em hebraico 'Flecha 3', que é o principal meio de defesa contra o míssil iraniano. O que acontece: o Irã joga um míssil balístico que sai da atmosfera. Israel manda esse míssil. Eu escuto o míssil saindo. Dá um nervoso porque meu filho está na sala, ele escuta o barulho e já corre para o bunker".
Posicionamento do governo brasileiro e alertas sobre consequências
O governo brasileiro já se manifestou oficialmente sobre a crise, divulgando no sábado, dia 28, uma nota que condena os ataques e defende o diálogo como solução para o conflito no Oriente Médio. Nesta segunda-feira, o assessor especial da Presidência, Celso Amorim, reforçou a necessidade de uma solução negociada e alertou para as graves consequências do atual cenário: "Isso pode ter consequências gravíssimas. Não só militares, diretamente, destruições, mas também econômicas. Por exemplo, se houver o fechamento do Estreito de Ormuz, o comércio de petróleo, o preço do petróleo vai para lua. Quantas pessoas estarão envolvidas nisso? Quantas morrerão diretamente? Como vai ser a reação? Quantos civis vão sofrer?".
Amorim destacou ainda a complexidade da situação, afirmando que "É muito simples você dizer 'ah, não encontrou solução'. Difícil é você brigar pelo diálogo até encontrar solução", enfatizando a importância de persistir nos esforços diplomáticos diante de um conflito que ameaça tanto a segurança regional quanto a estabilidade econômica global.
