SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar apresenta queda nesta quarta-feira (20), impulsionado pelas negociações entre Estados Unidos e Irã, que aliviam a pressão sobre moedas de mercados emergentes, como o real. O pregão também é marcado pelo alívio nos preços do petróleo, que retornam ao patamar abaixo de US$ 110, após recentes altas. Essa redução diminui a cautela dos investidores e estimula a busca por ativos de risco globalmente, beneficiando a Bolsa.
Cotações do dólar e Ibovespa
Por volta das 11h40, a moeda norte-americana registrava queda de 0,36%, cotada a R$ 5,022, em linha com o comportamento externo. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes, recuava 0,14%. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, subia 1,51%, atingindo 176.926 pontos, revertendo a forte queda de 1,52% registrada na véspera (19).
Petróleo e mercados internacionais
O comportamento doméstico acompanha o cenário externo. Durante a manhã, o petróleo Brent, referência mundial, cedia 4,32%, cotado a US$ 108,54 no contrato de junho. No exterior, os índices de Wall Street e europeus operavam em alta, com destaque para o EuroStoxx 50 (índice de referência da União Europeia), que avançava 1,60%, e o Nasdaq, com alta de 0,98%, à espera do balanço da Nvidia.
Negociações entre EUA e Irã
As incertezas relacionadas ao conflito persistem, mas sinais de progresso nas negociações reforçam o otimismo dos investidores. Na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou a parlamentares na Casa Branca que a guerra entre EUA e Irã "terminará muito rapidamente". No mesmo dia, o vice-presidente J.D. Vance declarou que progressos significativos foram alcançados nas conversas.
O conflito no Oriente Médio tem provocado o bloqueio do fluxo no estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo e gás. Essa guerra pressiona as cotações da commodity e adiciona incertezas às cadeias globais de insumos, aumentando a preocupação com uma alta inflacionária global.
Ameaças e declarações
Apesar do otimismo, o cenário ainda gera dúvidas. Nesta quarta-feira, em nota, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que "se a agressão contra o Irã for repetida, a guerra se estenderá para além da região". Na véspera, Trump disse que o Irã estaria "implorando" por um acordo para encerrar o conflito e que os Estados Unidos poderiam precisar atacar o país novamente, caso um acordo não seja firmado.
Em entrevista à Folha, Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, afirmou que o Irã está elaborando um protocolo para permitir a passagem de embarcações pelo estreito de Hormuz, mas navios dos Estados Unidos, de Israel e de países que apoiaram a guerra não poderão trafegar pela via marítima.
Impacto nos juros futuros
Tanto no Brasil quanto no exterior, o conflito tem influenciado os juros futuros. Com a persistência da guerra e a elevação das cotações do petróleo, o mercado tem reforçado as apostas de juros restritivos por mais tempo, o que pressiona a curva de juros. Esse cenário adverso pesou sobre as taxas DIs, que refletem a expectativa do mercado para a trajetória futura da Selic, na véspera.
Neste pregão, contudo, o movimento se reverteu com a queda do petróleo e o otimismo global. A taxa do DI para janeiro de 2035 encerrou o pregão de terça-feira a 14,356% (alta de 10 pontos-base). Nesta quarta, o ativo recua 8 pontos-base, para 14,275%. Nos EUA, o rendimento do Treasury de 10 anos atingiu máxima de 16 meses, de 4,687%, na sessão anterior, mas recua para 4,651% nesta quarta.
"O alívio nos rendimentos globais contribui para uma acomodação na curva de juros doméstica, enquanto o câmbio segue sensível ao comportamento do dólar no exterior", afirma a casa de investimentos Ágora em relatório.
Cenário político interno
Internamente, investidores seguem atentos aos desdobramentos do caso que liga o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, atualmente preso. Na última semana, o site Intercept Brasil revelou que Flávio pediu dinheiro ao ex-banqueiro para financiar o filme "Dark Horse", com um aporte de R$ 61 milhões de Vorcaro. A Folha e o próprio Flávio confirmaram as mensagens, mas o senador negou ter recebido ou oferecido vantagens por conta disso.
A Polícia Federal suspeita que recursos ligados a Vorcaro foram utilizados para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele reside desde fevereiro de 2025. Eduardo e Flávio negam as acusações. Na terça-feira, Flávio também revelou ter visitado Vorcaro após a primeira prisão do ex-banqueiro, no fim de 2025. Em entrevista, o senador afirmou que procurou Vorcaro para colocar "um ponto final" no envolvimento entre os dois.
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