Polícia Federal remarca depoimentos no caso Banco Master após ampliar cerco a empresários
PF remarca depoimentos no caso Banco Master após ampliar investigação

Polícia Federal remarca depoimentos no caso Banco Master após ampliar cerco a empresários

A Polícia Federal ampliou significativamente, nas últimas semanas, o cerco a empresários e executivos ligados ao Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Bueno Vorcaro. A investigação, que se desdobra em múltiplas frentes, já alcançou diferentes personagens do mercado financeiro e empresarial brasileiro, gerando expectativa sobre seu possível alcance no universo político.

O epicentro do caso: Daniel Bueno Vorcaro

No centro das investigações está Daniel Vorcaro, de 42 anos, controlador do Banco Master e apontado como líder de uma organização criminosa que teria agido contra o Sistema Financeiro Nacional. Em novembro, ele foi preso durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, que apura se o grupo liderado por ele articulou a venda de carteiras de crédito falsas ao Banco de Brasília (BRB) em 2025, numa transação envolvendo impressionantes R$ 12,2 bilhões.

Sua defesa nega veementemente qualquer irregularidade, afirmando que Vorcaro é inocente e que as tratativas com o BRB permaneceram em estágio preliminar, sem transferência definitiva de carteiras. Após ser solto em 28 de novembro pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, o banqueiro segue usando tornozeleira eletrônica.

A segunda fase da operação e novos alvos

A partir de janeiro, surgiram indícios de que o caso poderia atingir outros empresários. A segunda fase da Compliance Zero, deflagrada em 14 de janeiro, mirou nomes próximos ao banqueiro e ao entorno do conglomerado Master.

Entre os principais alvos estão:

  • Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, pastor evangélico e empresário, preso no Aeroporto de Guarulhos quando tentava embarcar para os Emirados Árabes Unidos, mas solto no mesmo dia.
  • Nelson Tanure, conhecido operador do setor financeiro com participações em empresas como Light e Prio, apontado pela PF como "sócio-oculto" dos negócios de Vorcaro.
  • João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, alvo de buscas mas não preso, cuja empresa foi liquidada pelo Banco Central em meio às investigações.

Estruturas complexas e impacto financeiro

A investigação tem atraído atenção pelo seu potencial de revelar relações e estruturas complexas que, segundo investigadores, permitiram o crescimento acelerado do conglomerado Master. Cálculos preliminares indicam que a quebra do Banco Master e do Will Bank, vinculados ao grupo controlado por Vorcaro, pode ter um impacto de R$ 47 bilhões no mercado financeiro brasileiro.

Durante a primeira fase da operação, a PF apreendeu um patrimônio avaliado em R$ 230 milhões em obras de arte, joias, dinheiro em espécie e outros bens. A estratégia de crescimento do Master, segundo depoimento do próprio Vorcaro, era baseada na segurança oferecida pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que garante ressarcimento de até R$ 250 mil por investidor em caso de liquidação bancária.

Conexões políticas e judiciais

Ao longo dos anos, Vorcaro construiu um significativo trânsito no ambiente político e jurídico de Brasília. Seu banco firmou contratos milionários com escritórios vinculados a ministros e ex-ministros do Supremo Tribunal Federal, incluindo o da esposa do ministro Alexandre de Moraes e o do ex-ministro Ricardo Lewandowski.

No mundo político, o banqueiro é apontado como próximo de figuras como o senador Ciro Nogueira e do presidente do União Brasil, Antonio Rueda, além de ter mantido ao menos uma reunião privada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em seu depoimento, Vorcaro minimizou o impacto dessas conexões em seus negócios, argumentando que, se tivesse realmente influência política, não estaria usando tornozeleira eletrônica.

Defesas e próximos passos

Enquanto a defesa de Vorcaro mantém sua inocência e critica "vazamentos sem identificação de fonte", a assessoria de Zettel afirma que ele "tem atividades empresariais conhecidas e lícitas, sem relação alguma com a gestão do Banco Master". Já Mansur, através de nota em seu site, repudia alegações que buscam associar sua empresa a práticas irregulares "sem apresentar quaisquer provas".

Com a remarcação dos depoimentos pela Polícia Federal, o caso Banco Master continua a se desenrolar, prometendo novos capítulos na investigação que já mobiliza diferentes setores da economia e da política brasileira. A pergunta sobre quem serão os próximos alvos permanece no ar, enquanto autoridades seguem desvendando as complexas estruturas por trás das operações do extinto banco.