Lula elogia operação contra 'andar de cima' do crime e reforça pacto contra feminicídio
Lula elogia operação contra crime e pacto contra feminicídio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou a abertura dos trabalhos do Poder Judiciário em 2026 para fazer um discurso contundente, elogiando operações que atingem os financiadores do crime organizado e reforçando compromissos com a democracia e o combate à violência contra mulheres. O evento, realizado nesta segunda-feira (2), marcou a retomada dos julgamentos em plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) após o recesso de fim de ano.

Operação Carbono Oculto e o "andar de cima" do crime

Em sua fala, Lula destacou especificamente a operação Carbono Oculto, que investigou crimes financeiros e lavagem de dinheiro ligados à facção PCC (Primeiro Comando da Capital), gestoras da região da Faria Lima em São Paulo e o setor de combustíveis. O presidente afirmou que essa ação conjunta do Judiciário, Polícia Federal e Receita Federal conseguiu alcançar os mandantes do crime organizado, que ele descreveu como "magnatas do crime".

"Esses criminosos vivem no andar de cima, não estão nas comunidades, mas sim em alguns dos endereços mais nobres do Brasil e do exterior", declarou Lula, reforçando sua crítica recorrente às estruturas de poder que sustentam o crime.

Contexto de tensões no STF

A escolha do presidente por discursar na abertura do Judiciário ocorre em um momento de tensões internas no Supremo, relacionadas principalmente ao escândalo do Banco Master. O ministro Dias Toffoli, relator do caso na corte, tem enfrentado questionamentos sobre sua posição após investigações revelarem proximidades com um dos advogados da causa.

As apurações mostraram que Toffoli viajou de jatinho com esse advogado no final de novembro, além de negócios familiares que associam seus irmãos a um fundo de investimentos ligado à instituição financeira. Sobre o tema, o presidente do STF já afirmou que a investigação tende a sair da corte.

Lula já se manifestou publicamente de forma crítica sobre as fraudes do banco e, ainda neste mês, reuniu no Palácio do Planalto autoridades envolvidas na investigação, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, o diretor da Receita Robinson Barreirinhas e o presidente do Banco Central Gabriel Galípolo.

Após o encontro, o petista se referiu às investigações do caso Master como um momento histórico para o país e afirmou que o Estado brasileiro irá derrotar o crime organizado. Como mostrou a Folha de S. Paulo, Lula também manifestou irritação a aliados com a conduta de Toffoli na relatoria e deu sinais de que não pretende defender o ministro.

Pacto contra o feminicídio e defesa da democracia

Além do combate ao crime organizado, Lula dedicou parte significativa de seu discurso à questão do feminicídio. Ele relembrou o Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, que será firmado entre os três Poderes nesta quarta-feira (4), e enfatizou a necessidade de educação e conscientização.

"Assassinos e agressores devem ser punidos com todo o rigor da lei, mas é preciso também educar os meninos. E conscientizar os homens de que nada, absolutamente nada, justifica qualquer forma de violência contra meninas e mulheres. Seja na realidade ou no ambiente digital", declarou o presidente.

Lula ainda reforçou que o pacto precisa envolver toda a sociedade brasileira, especialmente os homens do país, em um esforço coletivo para erradicar a violência de gênero. Suas falas sobre o tema têm se tornado mais recorrentes após episódios recentes de grande repercussão nacional.

Mensagens em defesa da democracia

O presidente também dedicou parte de seu discurso a reforçar mensagens em defesa da democracia, com menções diretas aos ataques de 8 de janeiro de 2023. Ele destacou que a democracia se constrói com eleições livres, mas se preserva com instituições capazes de defendê-las.

"Uma democracia sólida exige instituições confiáveis, mecanismos de prestação de contas e proteção contra abusos de poder. A condenação dos golpistas deixou uma mensagem clara: os responsáveis por qualquer futura tentativa de ruptura democrática serão punidos com o rigor da lei", afirmou Lula, encerrando seu discurso com um apelo à união nacional em torno dos valores democráticos.