Flávio Bolsonaro sob efeito Orloff após áudio do caso Master
Flávio Bolsonaro sob efeito Orloff após áudio do Master

Poucas horas antes de o Intercept Brasil revelar um áudio em que Flávio Bolsonaro cobra milhões de dólares em parcelas atrasadas de Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse” (“Azarão”, em tradução livre do inglês), cinebiografia sobre seu pai Jair Bolsonaro, o pré-candidato do PL à Presidência falava a jornalistas sobre a situação política do senador Ciro Nogueira (PP-PI), que fora alvo, na semana anterior, de operação da Polícia Federal como parte da investigação sobre a megafraude do Banco Master.

“O Ciro é presidente de um partido importante, sofreu acusações que são graves e ele inclusive já começou a explicar. O que eu falo é o seguinte: pelo menos ele tem um relator no Supremo, que é o ministro André Mendonça, que não vai sacaneá-lo, que vai dar a oportunidade da defesa trabalhar, vai dar a oportunidade do Ciro se explicar, provar que é inocente”, disse o Zero Um sobre o aliado que ele mesmo já credenciou como possível vice em sua chapa.

Ainda sem saber do tufão que estava por eclodir e provocar o primeiro grande abalo em sua postulação ao Palácio do Planalto, o filho mais velho do ex-presidente tornava-se mais um personagem atingido pelo “efeito Orloff”. A expressão baseia-se em um comercial de vodca veiculado nos anos 1980, em que a marca Orloff lançou o bordão “eu sou você amanhã”, dito por um personagem bem-disposto para garantir ao seu eu do futuro que a bebida não causava ressaca.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Transposta para o mais recente tremor político a sacudir Brasília, a metáfora, quase autoexplicativa, pressupõe que a declaração consoladora de Flávio Bolsonaro sobre o cacique do Centrão passou, com a revelação do áudio em tom de fraternidade para Vorcaro contendo pedido de (muito) dinheiro para o filme sobre seu pai, a valer integralmente para o próprio Zero Um.

A PF investiga se teria havido contrapartida política ou qualquer tipo de irregularidade na negociação de tão vultoso contrato de apoio financeiro a “Dark Horse” – o dono do Master teria se comprometido, à época, com um aporte total de 24 milhões de dólares em parcelas ao longo de 2025, mas, já enroscado em uma crise de liquidez, teria desembolsado, por uma empresa interposta, “apenas” 10,6 milhões de dólares.

Agora sob o efeito Orloff, Flávio Bolsonaro passará os próximos meses na esperança de não ser “sacaneado” por André Mendonça, indicado por seu pai para o Supremo – mas ainda assim atento, a dizer o mínimo, a futuras revelações do material interceptado em celulares e outros equipamentos apreendidos com Vorcaro. Afinal, depois de dar seguidas declarações públicas negando qualquer conexão com o ex-banqueiro, o presidenciável do PL foi pego no flagra escrevendo a ele: “Estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar