Na semana passada, o senador Flávio Bolsonaro, candidato à presidência pelo Partido Liberal (PL), conversou com seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, sobre a possibilidade de renunciar à disputa eleitoral. A conversa ocorreu logo após a revelação de seus negócios obscuros com o antigo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Crise no PL e possíveis alternativas
Segundo informações divulgadas pelo senador a jornalistas, seu pai teria vetado a possibilidade de Michelle Bolsonaro assumir como candidata substituta. No entanto, não ficou claro se Jair Bolsonaro aprovou algum outro nome como alternativa. No Partido Liberal, a avaliação é de que Flávio Bolsonaro pode desistir da candidatura presidencial e tentar a reeleição ao Senado pelo Rio de Janeiro, caso o custo político da crise continue aumentando.
Revelações do Intercept Brasil
Na quarta-feira (13/5), mensagens publicadas pelo Intercept Brasil mostraram o candidato presidencial do PL cobrando do ex-banqueiro Daniel Vorcaro um pagamento de 134 milhões de reais, supostamente para financiar a produção de um filme sobre seu pai. Os produtores do filme desmentiram a informação. Flávio Bolsonaro admitiu ter recebido 61 milhões de reais até a véspera da prisão de Vorcaro, em novembro do ano passado, por fraudes financeiras bilionárias.
Reunião para conter danos
Nesta terça-feira (19/5), Flávio Bolsonaro se reunirá com 112 deputados federais e senadores do PL em Brasília. O encontro foi organizado para um exercício coletivo de contenção de danos. O candidato deve repetir suas justificativas, incluindo a alegação de que manteve segredo sobre o negócio por obrigação contratual de confidencialidade.
O problema é que Flávio Bolsonaro se anunciou candidato presidencial do PL em dezembro, um mês após a prisão do ex-dono do Master, mas só agora, cinco meses depois, admitiu conhecer Vorcaro e ter recebido uma quantia milionária em uma transação mal explicada.
Dúvidas entre aliados
Deputados e senadores aliados tentam descobrir se fizeram uma aposta errada ao aceitar passivamente o candidato Flávio Bolsonaro, que possui um extenso prontuário de vulnerabilidades políticas em seus 16 anos como deputado estadual no Rio de Janeiro e, desde 2019, como senador. Eles querem dimensionar o estrago provocado pela onda de choque do escândalo do Master na candidatura presidencial de oposição que até agora se destacava nas pesquisas.
O custo político de uma renúncia tende a ser muito alto para todos no PL e adjacências, mas o negócio com o antigo dono do Master semeou dúvidas sobre o futuro da candidatura de Flávio Bolsonaro. Faltam apenas 19 semanas para as eleições.



