Crise com Marcelão expõe desordem na pré-campanha de Flávio Bolsonaro
A crise provocada pelo escândalo do Banco Master abriu uma nova frente de desgaste para a pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, o colunista de Radar Robson Bonin afirmou que a saída conturbada do assessor Marcello Lopes, conhecido como Marcelão, expôs um ambiente de desorganização e conflito interno semelhante ao observado durante o governo de Jair Bolsonaro.
Segundo Bonin, a demissão ocorreu após episódios de tensão dentro da produtora responsável pela pré-campanha do senador, em meio à repercussão dos áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. “O que está se passando no comitê é mais ou menos um suco do que a gente já viu nas outras experiências de poder da família Bolsonaro”, afirmou o colunista.
Quem é ‘Marcelão’ e por que ele virou problema na campanha?
Durante o programa, Laísa lembrou que Marcelão deixou a campanha apenas uma semana após a divulgação dos áudios de Flávio com Vorcaro. Segundo Bonin, ele é um ex-policial que ganhou projeção e patrimônio durante o governo Jair Bolsonaro por meio de contratos ligados a marketing e publicidade. O colunista lembrou ainda que a empresa ligada a Marcelão venceu recentemente uma concorrência milionária no Senado Federal. “A empresa dele ganhou uma concorrência no Senado para dividir uma bolada de 90 milhões de reais”, disse Bonin. Segundo ele, a proximidade entre Marcelão e Flávio Bolsonaro vinha sendo atribuída oficialmente a uma relação de amizade.
O que aconteceu dentro da campanha de Flávio?
De acordo com Bonin, a crise explodiu logo após a divulgação dos áudios relacionados ao Banco Master. Segundo o colunista, Marcelão passou a acusar integrantes da própria equipe de vazarem informações internas para a imprensa. “Ele perde as estribeiras nessa produtora, começa a meter o dedo na cara de todo mundo”, afirmou Bonin. O episódio teria escalado para agressões físicas e destruição de objetos dentro do escritório da campanha. “Dá um soco numa mesa de vidro, quebra várias coisas na sala e ameaça integrantes da própria equipe”, relatou o colunista. Segundo Bonin, Marcelão acreditava que estava sendo alvo de “fogo amigo” dentro da própria campanha.
Quem decidiu pela saída de Marcelão?
Bonin afirmou que a crise acabou chegando à cúpula do PL e foi levada ao senador Rogério Marinho (PL-RN), responsável pela coordenação política da pré-campanha. Segundo o colunista, foi o próprio Flávio quem decidiu interromper a participação de Marcelão no projeto eleitoral. Bonin afirmou ainda que a versão pública apresentada pela campanha não corresponde ao que ocorreu nos bastidores. “Criou-se ali uma nova mentira”, afirmou. Segundo ele, apesar da narrativa de que Marcelão teria pedido para deixar o projeto, o assessor foi efetivamente demitido.
Por que o episódio preocupa aliados de Flávio Bolsonaro?
Na avaliação de Bonin, o principal dano político da crise é reforçar a percepção de desorganização associada historicamente ao bolsonarismo. “Fica essa imagem de desordem no momento em que o senador precisa mostrar trabalho”, afirmou. Segundo ele, Flávio tenta construir uma imagem de liderança mais moderada e organizada do que a do pai, mas episódios como esse acabam produzindo o efeito contrário. “O senador precisa convencer o eleitor de que ele é diferente do pai”, disse Bonin. Para o colunista, porém, a crise interna da campanha reproduz exatamente o padrão político já observado durante o governo Jair Bolsonaro. “É igualzinho o que a gente está vendo aqui”, afirmou.



