Agentes da Polícia Federal adentraram as dependências do BRB, Banco de Brasília, durante a primeira fase da operação Compliance Zero, deflagrada no mês de novembro. A ação policial marcou o início de uma investigação que agora revela consequências financeiras significativas para a instituição bancária pública.
Plano de capitalização em análise
Em comunicado oficial divulgado nesta sexta-feira, dia 23, o Banco de Brasília confirmou que está avaliando a possibilidade de contrair um empréstimo ou solicitar aportes financeiros diretos de seus acionistas e controladores. O objetivo declarado é cobrir um possível rombo gerado pelas complexas negociações mantidas com o Banco Master ao longo dos últimos anos.
O plano de capitalização, conforme detalhado pelo BRB, ainda se encontra em fase de elaboração e, uma vez finalizado, será encaminhado ao Banco Central para a necessária aprovação regulatória. O valor total necessário para sanar as perdas ainda está sendo apurado internamente, mas estimativas preliminares obtidas pela TV Globo indicam que o montante pode ultrapassar a marca de R$ 3 bilhões.
Alternativas em estudo
Em sua nota oficial, o BRB elencou as principais alternativas que estão sendo consideradas para viabilizar a capitalização:
- A criação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) que utilizaria imóveis pertencentes ao governo do Distrito Federal como base de ativos.
- A contratação de um empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), uma entidade que atua na proteção dos correntistas.
- Um aporte financeiro direto realizado pelos controladores da instituição, com destaque para o governo do Distrito Federal, que detém 71,92% do capital do BRB.
Posicionamento do governo do Distrito Federal
Desde novembro, quando a operação Compliance Zero foi deflagrada, o governador Ibaneis Rocha tem reafirmado publicamente que o governo do DF possui patrimônio suficiente para "socorrer" o BRB, caso seja necessário. Em declarações anteriores, o governador já havia sinalizado a possibilidade de um aporte direto para cobrir os possíveis prejuízos decorrentes das transações com o Banco Master.
É importante ressaltar que, se as três medidas citadas pelo banco forem incluídas no plano de capitalização e receberem o aval do Banco Central, elas também precisarão da aprovação da Câmara Legislativa do Distrito Federal, adicionando uma camada de controle político ao processo.
Contexto do prejuízo
As perdas financeiras têm origem em uma série de operações realizadas entre o BRB e o Banco Master. O banco público aportou aproximadamente R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre os anos de 2024 e 2025. O Ministério Público Federal identificou indícios de gestão fraudulenta nessas transferências, o que intensificou as investigações.
Ao longo de 2025, o BRB tentou adquirir uma parte significativa do Banco Master, uma operação que contou com expressivo apoio do governo do DF, mas que foi barrada pelo Banco Central. Paralelamente, a Polícia Federal investiga se o BRB adquiriu carteiras de crédito problemáticas do Master, com foco em possíveis falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança.
Em novembro, a operação conjunta da PF e do MP afastou do cargo o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que posteriormente foi demitido em definitivo. Apesar do cenário desafiador, o BRB finalizou seu comunicado reforçando que a instituição permanece "sólida, segura e operando normalmente", buscando transmitir confiança aos seus clientes e ao mercado.