Valdemar Costa Neto defende vice mulher para Flávio Bolsonaro e amplia influência de Michelle no PL
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, defendeu publicamente que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenha uma mulher como vice na chapa presidencial das eleições deste ano, uma posição que gerou mal-estar e divergências no clã Bolsonaro. A proposta, segundo analistas, empodera diretamente a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher, que ganharia voz ativa nos debates sobre a formação da chapa e na aprovação do nome escolhido, mesmo que seja de outro partido.
Michelle Bolsonaro ganha protagonismo e causa atritos familiares
A possibilidade de uma vice mulher acarretaria em maior protagonismo para Michelle Bolsonaro, líder da ala feminina do partido bolsonarista. Neste momento, o PL espera que ela retome viagens pelo Brasil para buscar filiações femininas e comandar a montagem de nominatas locais, uma função que já causou atritos no passado. Por exemplo, no ano passado, Michelle discordou do apoio a Ciro Gomes no Ceará, gerando descontentamento entre os filhos de Bolsonaro.
De acordo com aliados próximos, Flávio e Eduardo Bolsonaro (PL-SP) demonstraram desagrado com a declaração de Valdemar, que, embora encontre apoio no Centrão, tende a trazer Michelle para o núcleo duro das decisões partidárias. Entre os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), há um consenso de que, se a escolhida não for a senadora Tereza Cristina (PP-MS), não há motivos para condicionar o posto de vice necessariamente a uma mulher, indicando resistências internas à proposta.
Valdemar justifica defesa com base no trabalho de Michelle
Em evento realizado em São Paulo nesta segunda-feira, Valdemar Costa Neto foi categórico ao condicionar a escolha de uma vice mulher à influência de Michelle Bolsonaro junto ao eleitorado feminino. Ele afirmou: "Torço agora para o Flávio escolher uma mulher de vice, porque as mulheres estão se interessando mais por política, graças ao trabalho da Michelle no PL Mulher; o Flávio não tocou esse assunto ainda pra frente, temos muito tempo ainda pela frente, nós vamos ter que definir isso aí e torço para que seja uma mulher, porque as mulheres são muito melhores do que os homens em todos os sentidos".
Essa declaração reforça a estratégia do PL de valorizar a participação feminina na política, mas também evidencia as tensões dentro da família Bolsonaro, onde Michelle busca consolidar seu espaço de poder. A ex-primeira-dama, que aparece com força em pesquisas de opinião, tem sido uma figura-chave na mobilização de apoio entre as mulheres, um eleitorado crucial para as próximas eleições.
O debate sobre a vice-presidência da chapa bolsonarista ainda está em aberto, com Valdemar pressionando por uma mulher no cargo e os filhos de Bolsonaro demonstrando cautela. Enquanto isso, Michelle Bolsonaro se prepara para assumir um papel mais ativo nas decisões partidárias, o que pode redefinir as dinâmicas de poder no PL e no próprio clã Bolsonaro nos próximos meses.



