Apesar de ser amplamente elogiado como o vice-presidente 'perfeito', discreto, diligente e fiel, a permanência de Geraldo Alckmin (PSB) na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a disputa da reeleição em outubro de 2026 ainda não está oficialmente definida. O presidente não tomou uma decisão final, e movimentações nos bastidores políticos continuam a todo vapor.
O vice elogiado, mas ainda não confirmado
Em sua última aparição pública, durante a cerimônia que marcou o aniversário de três anos do 8 de Janeiro, Alckmin foi escolhido para discursar antes do presidente. Em um pronunciamento contundente, ele elogiou a liderança de Lula na defesa da democracia, criticou os adversários e os atos golpistas, sendo amplamente aplaudido. A cena simbolizou sua lealdade e integração ao governo.
No entanto, por trás dos panos, o debate sobre a composição da chapa divide os partidos da base aliada. Em 2022, a escolha de Alckmin, um ex-tucano e ex-adversário de Lula, foi estratégica para acalmar o mercado, atrair eleitores de centro e garantir a vitória em um segundo turno. A estratégia deu certo.
No governo, o vice não teve um papel decorativo. Como ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, serviu como ponte com o empresariado e comandou negociações complexas, como as sobre o tarifaço americano, sempre sem criar conflitos ou fazer sombra ao presidente.
PT avalia planos B e C para a vaga
Enquanto o PSB defende a reedição da aliança, o PT demonstra hesitações e avalia cenários alternativos. Sem consenso interno, o partido listou pelo menos três nomes que poderiam substituir Alckmin, dependendo da estratégia eleitoral.
Josué Alencar, ex-presidente da Fiesp e filho do ex-vice José Alencar, é visto como uma opção para uma aproximação ainda maior com o setor empresarial. Já o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), é cotado caso a tática seja atrair os maiores partidos de centro para uma aliança ampla.
Há ainda, no campo das hipóteses, quem defenda uma chapa 'puro-sangue' petista, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, assumindo a vice-presidência. Essa ideia é justificada como uma precaução diante da idade avançada de Lula, que completou 80 anos.
Sinais de Lula apontam para continuidade
A decisão final, como sempre, caberá a Lula. E os sinais mais recentes indicam que a parceria com Alckmin deve se repetir. Em uma reunião no Palácio do Planalto na segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, que também contou com a presença de Fernando Haddad, Lula discorreu sobre cenários eleitorais em São Paulo.
O presidente comentou que a permanência de Alckmin na chapa evitaria turbulências políticas, o que foi comemorado pelo PSB. "Alckmin construiu uma relação de confiança com Lula", afirmou o deputado Jonas Donizette, líder do partido na Câmara, destacando que o vice foi crucial para melhorar a votação do presidente em São Paulo em 2022.
Contudo, ainda faltam sete meses para a oficialização das candidaturas, um período considerado longo demais na política para que qualquer cenário seja tratado como definitivo. Apesar dos elogios e dos sinais positivos, a vaga do vice-presidente 'perfeito' segue em aberto, sujeita às conveniências e às negociações do complexo tabuleiro eleitoral brasileiro.