Supremo Tribunal Federal no centro do palanque eleitoral
Pela primeira vez em 218 anos de história, o Supremo Tribunal Federal se transformou no alvo principal das críticas durante a abertura do ano eleitoral de 2026. O que antes era uma instituição relativamente protegida do debate político direto agora ocupa posição central nos discursos de campanha, especialmente entre representantes da chamada "nova velha direita".
Promessas de impeachment e estratégias eleitorais
Uma novidade marcante nesta campanha é a promessa recorrente de processos de impeachment contra integrantes do STF. O candidato presidencial do Partido Liberal, Flávio Bolsonaro, já assinou dois pedidos de impedimento do ministro José Antonio Dias Toffoli, abstraindo o fato de que Toffoli foi um dos conselheiros mais constantes de Jair Bolsonaro durante seu governo.
Do outro lado da direita, o governador mineiro Romeu Zema, do partido Novo, estabeleceu um critério claro para apoiar candidatos ao Senado: eles precisam levar às ruas a ideia de impeachment de juízes do STF. Esta estratégia representa uma receita de jogos psicológicos aplicada ao marketing eleitoral, onde se incita o eleitor à reflexão sobre a liquefação institucional enquanto se endereça a culpa da impunidade.
Ampliação de poder e arbitragem de disputas
É notável que o Supremo tenha se voluntariado, em certa medida, para figurar como alvo principal neste embate eleitoral. Esta não é uma circunstância casual, mas resultado da progressiva ampliação de seu espaço de poder nas últimas duas décadas. O tribunal acumulou funções de corte constitucional, instância de recursos e primeira e última instância para a elite política.
Numa ironia histórica, foi justamente a casta política que agora critica o STF que o escolheu para arbitrar disputas não resolvidas nos plenários do Congresso. Exemplar disso é o estoque de 800 ações diretas de inconstitucionalidade em que três dezenas de partidos imploram por decisão do Supremo.
Crise Master e relações perigosas
A tendência é que o Supremo atravesse todo o ano eleitoral exposto em praça pública, não pelas virtudes em defesa da democracia, mas como vilão numa trama de captura do Estado por interesses privados. Master é o nome da crise que expõe relações perigosas, frequentemente suspeitas, entre integrantes do Judiciário, Congresso e governo.
Nesta trama, exibem-se conexões preocupantes com uma linhagem empresarial que celebra o dinheiro como poder supremo, capaz de impor suas próprias leis na Praça dos Três Poderes, em Brasília. As orgias Master, aparentemente gravadas em vídeo, emolduram essa rede de influência que mantinha o pequeno Banco Master protegido enquanto executava fraudes bilionárias.
O ritmo eleitoral da crise
A campanha eleitoral promete ganhar o ritmo do samba-rolo Master, com previsão de depoimento do antigo dono do banco na comissão de economia do Senado. Este cenário pode revelar publicamente a lista de autoridades públicas presentes em festas com mulheres bonitas, pouca roupa e muito inebriantes - algumas estrangeiras sem intimidade com o idioma dos convidados.
Sem juízo moral, os negócios misturados com libertinagem representam uma das mais antigas receitas de lobby. A relação de autoridades participantes desses festins ajuda a entender como o Banco Master permaneceu protegido nas três esferas de poder enquanto inflava balanços com auxílio luxuoso de corretoras e investidores.
Perguntas históricas para o STF
Pela primeira vez em mais de dois séculos, o Supremo se vê no centro de um enredo eleitoral complexo. Os juízes poderiam repetir perguntas-chave dos versos clássicos de Carlos Drummond: E agora, STF? Você marcha! Para onde?
A história desses bacanais é importante não apenas para compreensão do presente, mas também para prevenção de eventuais reivindicações de nulidades na Justiça. O ano de 2026 marca um ponto de inflexão na relação entre o Judiciário e a política eleitoral brasileira.



