Governador de SP veta lei que obrigava cardápios impressos em bares e restaurantes
SP veta lei de cardápios impressos em bares e restaurantes

Governador de São Paulo veta projeto que obrigava cardápios impressos em bares e restaurantes

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), decidiu vetar integralmente o projeto de lei que tornava obrigatória a disponibilização de cardápios impressos em bares, restaurantes e lanchonetes de todo o estado. Com essa medida, os estabelecimentos comerciais poderão continuar a oferecer nas mesas apenas o cardápio digital, que é acessado por meio de um QR code com o celular.

Na entrada dos locais, o cardápio impresso segue obrigatório para consultas, mas a nova regra não se estende ao ambiente interno dos estabelecimentos. A decisão do governador mantém a flexibilidade para que os empresários escolham o formato que melhor se adapta ao seu modelo de negócio.

Projeto tinha justificativa de inclusão e acesso à informação

O projeto de lei é de autoria dos deputados estaduais Marina Helou (Rede) e Guilherme Cortez (PSOL) e foi aprovado em dezembro do ano passado na Assembleia Legislativa de São Paulo. Entre as principais justificativas apresentadas pelos parlamentares, destacam-se:

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram
  • Garantir o acesso à informação a todas as pessoas, sem distinção.
  • Evitar que o cardápio exclusivamente digital exclua e gere constrangimento a quem não tem aparelhos conectados à internet.
  • Proteger aqueles que têm dificuldade de manuseio de dispositivos móveis.

O texto também previa que os cardápios, sejam impressos ou digitais, deveriam conter informações claras como o preço de cada produto e os ingredientes utilizados. Além disso, estabelecia a proibição do repasse dos custos relativos à confecção dos cardápios aos consumidores.

Governador argumenta que legislação atual já protege consumidor

Ao vetar a proposta, o governador Tarcísio de Freitas apresentou argumentos baseados na legislação vigente. Ele afirmou que o direito à informação do consumidor já está "adequadamente disciplinado e assegurado" pelas normas atuais. Outro ponto destacado foi que a proibição de repasse dos custos "não se coaduna com o princípio constitucional da livre iniciativa".

O governador também lembrou que o cardápio digital surgiu como uma medida de segurança e proteção à saúde da população durante a pandemia de Covid-19, sugerindo que a necessidade de revisão dessa prática não seria tão urgente quanto defendem os autores do projeto.

Autora do projeto critica veto e promete lutar pela derrubada

A deputada Marina Helou afirmou à GloboNews que ficou surpresa com a notícia do veto e que vai lutar para derrubá-lo na Assembleia Legislativa. "O projeto é plenamente constitucional, tem imenso apoio popular e uma justificativa de veto fraca e inconsistente", declarou a parlamentar.

Ela acrescentou: "Fica evidente que o governador optou por uma política tacanha, vetando a proposta apenas por ser de autoria da oposição, sem qualquer tentativa de diálogo ou adequação." A declaração reflete a tensão política em torno da medida, que divide opiniões entre governo e oposição.

Veto de São Paulo contrasta com leis de outros estados

A decisão do governador paulista vai na contramão de leis já implementadas em outros estados brasileiros, incluindo alguns comandados por aliados políticos de Tarcísio de Freitas. Estados como:

  1. Rio de Janeiro
  2. Santa Catarina
  3. Mato Grosso do Sul
  4. Goiás

já obrigam os estabelecimentos a fornecerem cardápio físico no salão. Entre as capitais, Belo Horizonte também possui uma legislação nesse sentido, reforçando a tendência de alguns locais de priorizar o acesso físico às informações dos produtos.

Setor de bares e restaurantes reage à decisão

A Abrasel (Associação de Bares e Restaurantes) se posicionou sobre o veto, afirmando que a medida não muda a operação dos estabelecimentos, já que o menu físico não era obrigatório anteriormente. A decisão sobre qual formato adotar continua sendo de responsabilidade de cada restaurante, dependendo do seu público-alvo e estratégia comercial.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Representantes do setor acreditam que os estabelecimentos mais tradicionais sempre terão os cardápios de papel, enquanto os locais com perfil mais tecnológico podem preferir manter apenas a versão digital. A flexibilidade permitida pelo veto é vista por alguns empresários como positiva para a adaptação às diferentes realidades do mercado.

A discussão sobre cardápios impressos versus digitais reflete um debate mais amplo sobre inclusão digital, acesso à informação e adaptação dos negócios às novas tecnologias. Enquanto alguns defendem a obrigatoriedade do formato físico como garantia de direitos, outros argumentam que a legislação atual já oferece proteção suficiente aos consumidores.