Uma virada política surpreendente no cenário nacional
A trajetória política da senadora Soraya Thronicke passa por uma transformação radical que reflete as mudanças no cenário político brasileiro. Eleita em 2018 pelo então PSL com o slogan "a senadora de Bolsonaro", a parlamentar agora prepara sua campanha para reeleição em 2026 pelo PSB, em uma chapa que abre espaço para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Mato Grosso do Sul.
Do bolsonarismo à aproximação com o governo federal
Ao longo do mandato, Soraya foi gradualmente rompendo com o campo conservador que a elegeu. Em 2022, já filiada ao União Brasil, ela disputou a Presidência da República contra Lula e Jair Bolsonaro, então no PL, na tentativa de viabilizar uma terceira via política. Na época, recebeu críticas duras dos bolsonaristas, que a chamaram de traidora.
Diferente da então senadora Simone Tebet, que após ficar em terceiro lugar na disputa presidencial decidiu apoiar Lula no segundo turno, Soraya, que obteve apenas 0,51% dos votos (600.953 votos), declarou que não apoiaria nenhum dos dois candidatos naquele momento. "Nenhum desses bandidos merecem o meu apoio", escreveu ela na época no Twitter, rede social hoje chamada de X.
Negociações avançadas para a nova filiação partidária
Apesar de ainda não confirmar oficialmente sua filiação ao PSB, afirmando apenas que está "em tratativas", a senadora já conta com o aval do presidente do partido, João Campos. Recentemente, recebeu a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e o presidente do PT no Mato Grosso do Sul, o deputado Vander Loubet, para acertar os detalhes das negociações.
Soraya também já conversou com o pré-candidato ao governo Fábio Trad (PT). Em todas as reuniões, foi cobrada sua posição de apoio a Trad e a Lula como condição para garantir sua vaga na chapa eleitoral. Essa movimentação representa uma guinada estratégica significativa na carreira da parlamentar.
Conflitos familiares e reflexões sobre o passado
Em um vídeo que circula nas redes sociais desde o sábado, 21 de fevereiro, Soraya aparece em entrevista falando sobre as dificuldades familiares que enfrentou por ter apoiado Bolsonaro em 2018. "O meu filho não foi à minha posse, para vocês terem uma noção. Ele falava: 'Mãe, eu não suporto que minha mãe virou bolsonarista'. Ele ficou revoltado. Ele e os amigos. Ele foi se afastando, se afastando... Então, eu tomei posse com aquela dor no coração muito grande", revela a senadora em um trecho emocionante.
Atuação parlamentar e desafios do mandato
Após as eleições de 2022, o maior destaque do mandato da senadora ocorreu durante a CPI das Bets, da qual ela foi relatora. A investigação, no entanto, não produziu grandes desdobramentos e enfrentou uma série de problemas, incluindo questões de agenda e suspeitas de irregularidades que dificultaram seu andamento.
A mudança de Soraya Thronicke ilustra a fluidez das alianças políticas no Brasil contemporâneo, onde figuras públicas podem atravessar o espectro ideológico em busca de novas oportunidades eleitorais. Sua trajetória de "senadora de Bolsonaro" a potencial aliada de Lula representa um dos casos mais emblemáticos de realinhamento político dos últimos anos.