Saída de aliado histórico do PSD tensiona campanha petista na Bahia
O cenário político baiano enfrenta uma significativa reconfiguração com a decisão do senador Angelo Coronel de deixar o PSD, partido que mantém uma aliança histórica com o PT no estado, para se filiar ao União Brasil, sigla que lidera a oposição ao governador Jerônimo Rodrigues (PT). Este movimento representa um novo e sério obstáculo para a campanha de reeleição do petista, que já aparece em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto.
Impacto eleitoral e rumores de chapa puro-sangue
A mudança partidária ocorre em um contexto delicado, marcado por fortes rumores de que o PT pretende lançar uma chapa puro-sangue para o Senado, composta por Jaques Wagner e Rui Costa, ambos ex-governadores do estado e figuras centrais na hegemonia política petista, que já alcança o quinto mandato consecutivo. Se confirmada, essa estratégia excluiria Coronel da disputa, impedindo sua tentativa de reeleição.
Nas eleições deste ano, que vão renovar dois terços do Senado, a Bahia elegerá dois novos representantes. Atualmente, o estado conta com dois senadores do PSD – Coronel e Otto Alencar (este último com mandato até 2031) – e um do PT, Jaques Wagner. A possível deserção do PSD da campanha de Rodrigues poderia agravar ainda mais a desvantagem do governador nas pesquisas, criando um cenário de incerteza e tensão.
Reações e tentativas de manter a união
Em resposta à situação, o governador Jerônimo Rodrigues realizou uma coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira, tentando minimizar os impactos da saída de Coronel. Ele afirmou que a mudança não significa necessariamente que o PSD estará fora de sua campanha, destacando esforços para manter a união do grupo político. “Não encerramos o processo ainda. O senador Otto tem dirigido isso com tranquilidade. Não temos interesse em perder ninguém”, declarou Rodrigues, acrescentando que “continuaremos de mãos dadas para fortalecer esse grupo político”.
Por outro lado, Coronel, que está no seu primeiro mandato no Senado, com término previsto para janeiro do próximo ano, publicou em suas redes sociais um trecho de entrevista no qual afirma que irá “brigar pela reeleição”, um dia antes de confirmar oficialmente a troca de partido. A reportagem tentou contato com o senador para esclarecimentos, mas não obteve resposta até o momento.
Contexto político e especulações futuras
Além da disputa pelo Senado, há rumores de que Rui Costa, atual ministro da Casa Civil, poderia concorrer novamente ao cargo de governador este ano. No entanto, em entrevista recente, Jerônimo Rodrigues negou que essa possibilidade esteja em negociação, buscando focar na estabilização da sua campanha. A movimentação de Coronel para a oposição, liderada pelo ex-prefeito ACM Neto (União Brasil), sinaliza um realinhamento das forças políticas na Bahia, potencialmente afetando a tradicional aliança entre PT e PSD.
Este episódio evidencia os desafios enfrentados pelo PT na manutenção de sua hegemonia no estado, em um ano eleitoral crucial que promete redefinir os rumos da política baiana. A capacidade de Rodrigues em negociar e manter coesão entre seus aliados será testada nos próximos meses, enquanto a oposição busca capitalizar a deserção para fortalecer sua base eleitoral.