O dilema eleitoral de Ratinho Júnior: entre o Planalto e o Paraná
Com mais de sete anos à frente do governo do Paraná, estado que possui o quarto maior Produto Interno Bruto do Brasil, o governador Ratinho Júnior, do Partido Social Democrático (PSD), acumula conquistas expressivas. Eleito em primeiro turno em duas oportunidades, com 60% dos votos em 2018 e impressionantes 70% em 2022, o mandatário encerra seu segundo mandato com uma aprovação popular que ultrapassa os 85%, colocando-o entre os governadores mais bem avaliados do país.
Sua gestão é marcada por avanços significativos em áreas estratégicas como educação, segurança pública, infraestrutura, atividade industrial e geração de empregos. No entanto, esse balanço positivo ainda não se traduziu em uma candidatura presidencial consolidada. De acordo com a última pesquisa Genial/Quaest, Ratinho Júnior possui apenas 8% das intenções de voto, ficando muito distante dos líderes Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
A complexa sucessão estadual
Paralelamente aos planos nacionais, o governador enfrenta um dilema igualmente desafiador em seu próprio estado. A sucessão no Paraná permanece indefinida, com três nomes do PSD na mesa de discussões:
- Guto Silva, secretário estadual de Cidades, considerado a escolha mais provável devido à proximidade pessoal com Ratinho Júnior, mas com apenas 5,7% nas pesquisas.
- Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba e atual secretário de Desenvolvimento Sustentável.
- Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa do Paraná.
A prolongada indecisão pode cobrar um alto custo político. Nos bastidores, Curi e Greca mantêm diálogos com outras legendas do Centrão, como Republicanos e PP, e podem lançar chapas próprias caso sejam preteridos. "A escolha do sucessor se divide entre motivações pessoais, políticas e eleitorais, e o governador sairá mais prejudicado quanto mais demorar para definir um nome", avalia Murilo Hidalgo, CEO do instituto Paraná Pesquisas.
O avanço de Sergio Moro e os riscos nacionais
Quem mais se beneficia da incerteza no círculo governista é Sergio Moro, do União Brasil, favorito ao governo do Paraná com pelo menos 20 pontos de vantagem sobre qualquer rival. O ex-juiz ensaia uma aliança com Flávio Bolsonaro e o Partido Liberal em troca de apoio à candidatura presidencial, manobra vista como um ultimato para forçar Ratinho Júnior a abandonar a corrida pelo Planalto.
"Um acordo com o PL que trouxesse os bolsonaristas para o lado de Moro seria um golpe para Ratinho", destaca o cientista político Marco Antonio Teixeira, da Fundação Getulio Vargas. Os planos de Moro, contudo, enfrentam resistências dentro da federação União Progressista, onde o PP busca escanteá-lo para negociar a filiação de Greca e lançar candidatura própria.
Contexto nacional e perspectivas futuras
As dificuldades não são exclusividade do governador paranaense. Outros mandatários presidenciáveis bem avaliados, como Eduardo Leite do Rio Grande do Sul e Romeu Zema de Minas Gerais, enfrentam dilemas similares. No plano nacional, esses nomes atingem no máximo 4% das intenções de voto, segundo a mesma pesquisa Genial/Quaest.
O histórico desde a redemocratização também desafia a empreitada: apenas Fernando Collor conseguiu chegar ao Palácio do Planalto diretamente de um governo estadual. Pelo caminho ficaram figuras como Geraldo Alckmin, José Serra, Ciro Gomes, Aécio Neves e João Doria.
No entanto, Ratinho Júnior e seus pares mantêm algumas cartas na manga. Um dos trunfos é o fato de serem menos conhecidos nacionalmente que Lula e Bolsonaro, com espaço para crescimento. Cerca de 37% do eleitorado não conhece o governador do Paraná, o que ajuda a explicar as intenções de voto modestas. Sua rejeição de 40% contrasta com os 54% de Lula e 55% de Flávio Bolsonaro.
Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, vem defendendo publicamente que Ratinho Júnior é o melhor candidato do partido. Resta ao governador transformar seu prestígio estadual em capital político nacional, enquanto o tempo corre contra sua dupla ambição eleitoral.



