O Partido dos Trabalhadores (PT) confirmou a candidatura própria ao governo do Maranhão, lançando o vice-governador Felipe Camarão para a sucessão estadual. A decisão, anunciada pelo presidente do partido, Edinho Silva, no último sábado, 2, e oficializada por Camarão nesta segunda-feira, 4, consolida o rompimento com o atual governador, Carlos Brandão (PSB), que pretende apoiar o sobrinho, Orleans Brandão (MDB), para o Palácio dos Leões.
Contexto da decisão
Inicialmente, o PT cogitou apoiar o ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), mas a negociação não avançou devido à recusa de Braide em se comprometer com a campanha presidencial de Lula. Com isso, o partido optou por lançar candidatura própria, com o respaldo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conforme declarou Camarão em suas redes sociais. A aliança com Braide foi descartada porque ele pretendia manter neutralidade na disputa presidencial, o que contrariava os interesses do PT.
Divisão na esquerda maranhense
A decisão do PT de lançar candidato próprio aprofunda o racha na esquerda do estado. Em 2022, Brandão contou com o apoio dos petistas, mas agora o partido rejeitou renovar a aliança, alegando que havia um acordo para que o governador apoiasse um nome indicado pelo PT nesta eleição. Brandão, no entanto, mudou de planos e decidiu testar o sobrinho Orleans, que atua como secretário de Assuntos Municipalistas e possui boa interlocução com prefeitos, um ativo importante para a campanha.
Felipe Camarão, que foi secretário de Educação no governo de Flávio Dino (2015-2022), atual ministro do STF, é visto por aliados de Brandão como tendo o padrinho político de Dino. Com duas candidaturas de esquerda, a disputa promete ser acirrada, e Brandão contava com o apoio de 180 prefeitos, que agora podem migrar para o candidato petista.
Impacto na campanha
A candidatura de Camarão representa uma alternativa para o PT no Maranhão, mas também expõe a fragmentação da esquerda local. Enquanto Brandão busca manter sua base de apoio, o PT aposta na força do nome de Lula para atrair votos. A decisão final sobre a chapa e as alianças ainda será discutida nos próximos meses.



