PT se prepara para decisão crucial sobre palanques estaduais nas próximas eleições
O Partido dos Trabalhadores (PT) realizará na próxima segunda-feira, dia 2 de fevereiro, uma reunião decisiva que definirá os rumos de sua estratégia eleitoral para os pleitos estaduais. O encontro do grupo de trabalho eleitoral (GTE), comandado pelo presidente nacional do partido, Edinho Silva, e coordenado pelo deputado federal José Guimarães, tem como objetivo principal traçar um mapa político detalhado de todos os 26 estados e do Distrito Federal.
Prioridade absoluta: garantir a reeleição de Lula
Como é natural, a prioridade máxima do PT é assegurar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para mais quatro anos no Palácio do Planalto. Edinho Silva e José Guimarães esperam que, ao final da reunião, tenham em mãos um diagnóstico completo que servirá de base para uma conversa posterior com o próprio presidente da República. Caberá a Lula, como sempre, bater o martelo sobre os dilemas entre lançar candidaturas próprias ou apoiar nomes de outras legendas aliadas.
Atualmente, o coordenador do GTE petista projeta o lançamento de aproximadamente vinte candidatos a senador e de dez a quinze postulantes a governador vindos das fileiras do partido. Essa movimentação demonstra a intenção do PT de fortalecer sua base estadual como alicerce para a campanha presidencial.
Foco no Nordeste e riscos no Rio Grande do Norte
Os estados já governados pelo PT – Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, todos localizados na região Nordeste – são considerados "prioridade" na estratégia partidária, conforme afirma José Guimarães. Nos três primeiros, os atuais governadores Jerônimo Rodrigues, Elmano de Freitas e Rafael Fonteles têm direito à reeleição, o que facilita a manutenção desses redutos.
No entanto, a situação no Rio Grande do Norte preocupa a cúpula petista. Tanto a governadora Fátima Bezerra quanto seu vice, Walter Alves do MDB, devem renunciar dentro do prazo legal de seis meses antes das eleições para concorrer a outros cargos. Esse movimento cria um risco real de uma disputa indireta na Assembleia Legislativa, que poderia alçar um nome da oposição à chefia do Executivo estadual até o final do ano.
Planos de contingência e escalação de ministros
A simples possibilidade de o PT perder a hegemonia em redutos nordestinos levou à elaboração de planos de contingência. Se necessário, ministros estratégicos do governo Lula poderão ser escalados para disputar governos estaduais, conforme revelado em reportagem da revista VEJA. Essa medida visa proteger bases consideradas essenciais para a vitória nacional.
No chamado "triângulo eleitoral" do Sudeste, formado por São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro – os três maiores colégios eleitorais do país –, a necessidade de "palanques potentes" é ainda mais urgente, segundo Guimarães. Com essa premissa em mente, tudo indica que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, será destacado para enfrentar novamente Tarcísio de Freitas em São Paulo.
A missão de Haddad seria tentar manter o patamar de votos que Lula obteve dos paulistas em 2022, considerado crucial para sua vitória contra Jair Bolsonaro naquela eleição. Essa estratégia demonstra como o PT busca otimizar seus recursos humanos mais valiosos para maximizar resultados em regiões decisivas.
A reunião da próxima segunda-feira representa, portanto, um momento-chave na preparação do PT para as eleições. O mapa eleitoral que será produzido não apenas orientará as decisões de Lula sobre os palanques estaduais, mas também definirá os contornos da campanha pela reeleição presidencial, com implicações profundas para o cenário político nacional nos próximos anos.