O Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou neste domingo (26), durante seu Congresso Nacional realizado em Brasília, um manifesto intitulado 'Construindo o futuro', que define as diretrizes para as eleições de outubro e os próximos passos da legenda. O evento, que começou na última sexta-feira (24) e se encerrou neste domingo, reuniu representantes de todo o país para debater e aprovar o texto, que tem como eixo central a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026.
Balanço do governo e críticas à gestão anterior
O manifesto faz um balanço positivo do atual mandato, classificando-o como o governo com 'mais entregas da história', em um esforço de reconstrução após o que o partido chama de 'projeto de destruição nacional' da gestão anterior. O PT argumenta que a vitória em 2026 é 'decisiva não apenas para o Brasil, mas para o campo democrático internacional frente ao avanço da extrema-direita e do fascismo'. Para sustentar essa tese, o documento enumera indicadores positivos do governo Lula 3, como o crescimento da renda, o combate à pobreza, a expansão da educação em tempo integral e o aumento no orçamento da saúde. O texto também destaca a capacidade do presidente em gerir crises, mencionando sua atuação nas enchentes do Rio Grande do Sul e na contenção de preços diante de conflitos internacionais no Oriente Médio.
Seis reformas propostas
O manifesto defende que o Brasil deve 'ir além' dos indicadores atuais para atualizar seu projeto de futuro. Para isso, o partido propõe seis reformas decisivas:
- Reforma Política e Eleitoral: democratização do poder e alteração do modelo de emendas parlamentares;
- Reforma Tributária: foco na taxação de super-ricos, fundos exclusivos e isenção para quem ganha até R$ 5 mil;
- Reforma Tecnológica: regulamentação de oligopólios de plataformas digitais e busca por soberania digital;
- Reforma do Judiciário: fortalecimento do Estado de Direito e mecanismos de autocorreção;
- Reforma Administrativa: reconstrução da capacidade pública do Estado;
- Reforma Agrária: citada como parte do compromisso com a justiça social.
Pautas sociais e soberania nacional
No campo social, o PT incorpora pautas como a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1, além da busca pela tarifa zero na mobilidade urbana e a universalização de creches. O manifesto também dedica espaço à soberania nacional, destacando a necessidade de o Brasil controlar suas reservas de terras raras para a transição energética e tecnológica, recusando o papel de mero exportador de minério bruto.
Críticas internacionais e transição geracional
No cenário internacional, o texto critica a postura 'agressiva' e o uso de tarifas comerciais por Donald Trump, contrapondo-a à tradição pacífica e mediadora do governo Lula. Internamente, o PT propõe uma 'permanente transição geracional', com a limitação de mandatos em instâncias partidárias (no máximo dois no mesmo cargo) e a garantia de, no mínimo, 50% de mulheres nos espaços de deliberação. O documento encerra reafirmando o compromisso do partido com o socialismo e com um mundo democrático de paz.
Ausência de Lula e mensagem em vídeo
O presidente Lula não compareceu ao evento, pois se recupera de dois procedimentos médicos realizados no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo: a retirada de um câncer de pele no couro cabeludo e uma infiltração no punho para tratar tendinite. Ambos os procedimentos ocorreram sem intercorrências. No entanto, Lula gravou um vídeo que foi transmitido no primeiro dia do congresso, na sexta-feira. Na mensagem, ele elogiou o texto apresentado pelo PT e afirmou que o partido, por estar no comando do governo, 'não corre atrás de adversários' e que, se fizerem tudo corretamente, não perderá eleições. O presidente tem previsão de voltar a Brasília ainda neste domingo.



