PSD se torna 'arca de Noé' da política com filiação de Caiado e atrai direita 'órfã'
PSD vira 'arca de Noé' política e atrai direita 'órfã' de nomes

PSD se consolida como 'arca de Noé' política com filiação de Caiado e atrai direita 'órfã'

A recente movimentação em torno do Partido Social Democrático (PSD) surpreendeu integrantes do governo federal e foi interpretada pela oposição como um sinal relevante para a disputa presidencial de 2026. O cacique Gilberto Kassab formalizou nesta semana a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, mantendo sua condição de pré-candidato à Presidência da República.

Três governadores no páreo presidencial

Com a adesão de Caiado, o PSD passa a contar com três postulantes ao Palácio do Planalto, sendo os outros dois os governadores Ratinho Jr., do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. Essa concentração de lideranças estaduais em uma única sigla partidária é inédita no cenário político brasileiro recente e demonstra a capacidade de articulação da legenda.

No programa Os Três Poderes desta sexta-feira, 30 de janeiro, o colunista Robson Bonin relatou conversa com um ministro do governo Lula que classificou o partido como uma espécie de "arca de Noé" política, capaz de reunir representantes de correntes ideológicas diversas sob um mesmo guarda-chuva partidário.

Flexibilidade ideológica como estratégia

Segundo a análise apresentada, a lógica do PSD, comandado por Gilberto Kassab, reside precisamente na ausência de um programa ideológico rígido e definido. O partido se apresenta como uma ferramenta flexível, que permite a seus filiados apoiar tanto o governo Lula quanto o campo bolsonarista, conforme a conveniência de cada liderança regional.

Essa característica de adaptabilidade explica a atratividade da sigla no atual cenário político fragmentado. Na oposição, especialmente entre bolsonaristas, o movimento foi interpretado como algo que pode ser útil no futuro, particularmente em uma eventual composição de segundo turno eleitoral.

Desconforto com Flávio Bolsonaro e busca por alternativas

Para aliados que defendem o nome do governador Tarcísio de Freitas, o avanço do PSD foi visto como um "grande achado" estratégico diante do desconforto gerado pela possível candidatura de Flávio Bolsonaro. Bonin descreveu um "desespero tremendo" na direita com esse cenário, onde petistas têm argumentado que uma candidatura de Flávio colocaria o campo conservador em situação de risco eleitoral.

De acordo com a análise, a avaliação predominante é de que a direita estaria "órfã" de um nome competitivo para a disputa presidencial. A comparação entre Ratinho Jr. e Flávio Bolsonaro reforça esse argumento: enquanto o governador paranaense disputaria a eleição como gestor reeleito com dois mandatos e administração avaliada positivamente, Flávio teria dificuldade em apresentar uma vitrine administrativa convincente.

Jantar com empresários vira 'sessão de terapia coletiva'

Nesse contexto, o nome mais forte do PSD para a disputa presidencial seria o de Ratinho Júnior. Bonin citou bastidores de um jantar realizado em São Paulo na última quarta-feira, 28 de janeiro, com representantes do setor produtivo brasileiro, descrito pelos participantes como uma "sessão de terapia coletiva".

Empresários de diferentes segmentos da economia teriam demonstrado ansiedade com o cenário político atual e disposição para oferecer apoio financeiro, estrutura organizacional e dados estratégicos para viabilizar uma candidatura do governador paranaense. Ainda segundo o relato, um executivo bilionário chegou a se oferecer para assumir um ministério em um eventual governo Ratinho Júnior, como forma de convencê-lo a entrar na corrida presidencial.

Ironias e críticas ao cenário político

Bonin ainda relatou a ironia recorrente entre petistas, que apontam uma loja de chocolates na Barra da Tijuca como a única experiência administrativa significativa de Flávio Bolsonaro em seu currículo político. Essa crítica ressalta a percepção de que a trajetória do senador fluminense sempre esteve vinculada à figura paterna, sem conquistas próprias no campo da gestão pública.

O PSD, com sua estratégia de flexibilidade programática e capacidade de aglutinar diferentes correntes políticas, posiciona-se como um ator central no tabuleiro eleitoral de 2026. A "arca de Noé" de Kassab parece atrair justamente aqueles que buscam alternativas aos polos tradicionais da política brasileira, em um momento de reconfiguração das forças partidárias no país.