Prefeito de Manaus deixa cargo para concorrer ao Governo do Amazonas
O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante-AM), oficializa nesta terça-feira (31) sua renúncia ao comando do Executivo municipal para disputar o Governo do Amazonas nas eleições de 2026. A decisão atende à regra de desincompatibilização, que proíbe candidatos de ocuparem cargos públicos durante o período eleitoral. Com a saída, o vice-prefeito Renato Junior (Avante-AM) assume definitivamente a Prefeitura de Manaus, conforme estabelece a Lei Orgânica do Município.
Cerimônia de transição na Câmara Municipal
A solenidade que marca a troca na liderança da capital amazonense está programada para começar às 10h, no plenário Adriano Jorge, localizado na sede da Câmara Municipal de Manaus (CMM). Antes do ato oficial de posse, haverá uma coletiva de imprensa no Memorial da Casa Legislativa. A sucessão segue rigorosamente os artigos 75 e 82 da Lei Orgânica, que determinam a posse automática do vice-prefeito em caso de vacância do cargo máximo do município.
Pré-candidatura anunciada e planos para o estado
David Almeida já havia anunciado em fevereiro deste ano sua pré-candidatura ao Governo do Amazonas pelo partido Avante, durante um evento realizado em Manaus. Na ocasião, o então prefeito classificou a decisão como uma das mais difíceis de sua trajetória política, ressaltando que foi eleito duas vezes para administrar a capital. Em seu discurso, Almeida expressou a intenção de expandir para todo o estado projetos implementados na rede municipal de educação e fortalecer a parceria entre o governo estadual e a Prefeitura de Manaus.
O político também declarou planos de percorrer municípios do interior a partir de abril, visitando escolas, unidades de saúde e hospitais para conhecer de perto as necessidades da população. Durante o anúncio, afirmou que sua pré-candidatura tem como objetivo "livrar o Amazonas da tirania, da opressão, da intimidação, ameaça e incompetência". Em tom emocionado, Almeida mencionou questões pessoais, incluindo a perda recente de um filho, e reafirmou seu compromisso com o projeto político.
Trajetória política de David Almeida
David Almeida construiu uma carreira política sólida no Amazonas. Foi deputado estadual por três mandatos consecutivos, eleito pela primeira vez em 2006 com 7.569 votos, reeleito em 2010 com 24.479 votos, e conquistou o terceiro mandato em 2014 com 24.189 votos. Assumiu a presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas para o biênio 2017/2018 e serviu como governador interino em 2017. No mesmo ano, concorreu ao governo do estado, ficando em terceiro lugar com 417.203 votos.
Em 2020, foi eleito prefeito de Manaus com 466.970 votos, tendo Marcos Rotta como vice. Quatro anos depois, em 2024, foi reeleito para um segundo mandato à frente da capital amazonense, desta vez com Renato Junior como vice-prefeito, alcançando 576.171 votos. Entre as principais realizações de sua gestão estão:
- Mirante Lúcia Almeida: espaço revitalizado no Centro de Manaus, às margens do Rio Negro, transformado em ponto turístico e de convivência com estrutura para lazer, cultura e contemplação.
- Complexo Viário Rei Pelé (Bola do Produtor): intervenção viária na Zona Leste para desafogar o trânsito em um dos cruzamentos mais movimentados da capital.
- Programa "Asfalta Manaus": ação de infraestrutura com recapeamento e recuperação de milhares de ruas em bairros de todas as zonas da cidade, focando na melhoria da mobilidade urbana.
Polêmicas e investigações em andamento
Em novembro de 2025, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) autorizou a abertura de sete investigações criminais contra David Almeida. O Ministério Público apura se empresários com contratos milionários com a Prefeitura custearam despesas do prefeito e da primeira-dama Izabelle Fontenelle em viagens ao Caribe durante os carnavais de 2024 e 2025. Em uma das viagens, Izabelle foi filmada em festa em um clube de alto padrão na ilha de São Martinho, ao lado de empresários que mantêm contratos com a administração municipal.
Além disso, os promotores investigam relações de familiares do prefeito com fornecedores da Prefeitura de Manaus. Em fevereiro deste ano, a Polícia Civil do Amazonas deflagrou uma operação contra um esquema ligado ao Comando Vermelho que, segundo as investigações, mantinha um "núcleo político" com acesso aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, atuando no tráfico de drogas. Foram cumpridos 14 mandados de prisão, sendo oito no Amazonas.
Entre os presos estava Anabela Cardoso Freitas, integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida - ele não foi alvo nem investigado na operação. Almeida criticou a ação policial, afirmando que se tratava de uma tentativa de prejudicar sua imagem. "O que está em andamento é uma operação para me sujar. Não tem nada a ver com tráfico de drogas. Vou provar a minha inocência", declarou. Segundo a investigação, Anabela teria movimentado cerca de R$ 1,5 milhão para a facção por meio de empresas de fachada.
Questionado sobre o valor, David Almeida argumentou que a movimentação é compatível com a renda de Anabela nos últimos anos, considerando seu salário como servidora pública e a pensão que recebe como viúva de um ex-deputado. "Tudo é mentira que nós vamos dissecar uma a uma", afirmou o político, mantendo sua defesa contra as acusações.



