Dois policiais que atuaram na defesa do Capitólio dos Estados Unidos durante a invasão de 6 de janeiro de 2021 ingressaram com uma ação judicial nesta quarta-feira (20) com o objetivo de bloquear o fundo de aproximadamente US$ 1,8 bilhão instituído pelo presidente Donald Trump para indenizar supostas vítimas de "instrumentalização política".
A petição foi protocolada em um tribunal federal de Washington. O ex-policial do Capitólio Harry Dunn e o agente Daniel Hodges, do Departamento de Polícia Metropolitana, sustentam que Trump "criou um fundo de US$ 1,776 bilhão financiado pelos contribuintes para beneficiar insurgentes e grupos paramilitares que cometem violência em seu nome".
O processo requer que a Justiça determine a suspensão dos pagamentos do fundo, descrito pelos autores como "o ato mais descarado de corrupção presidencial deste século".
Acordo com a Receita Federal
Na segunda-feira (18), Trump firmou um acordo com a Receita Federal dos EUA (IRS) e concordou em retirar uma ação de US$ 10 bilhões movida após o vazamento de suas declarações de imposto de renda durante seu primeiro mandato.
Como parte do entendimento, o Departamento de Justiça criou o fundo para compensar pessoas que alegam ter sido alvo de "instrumentalização política". O procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, foi questionado repetidamente sobre o fundo durante depoimento no Congresso na terça-feira (19). Blanche afirmou que os recursos podem ser destinados a integrantes de qualquer partido político e não se limitam aos acusados pela invasão do Capitólio.
Segundo ele, os critérios para receber os pagamentos são amplos e incluem pessoas que afirmam ter sofrido "instrumentalização".
Relatos dos policiais
Harry Dunn, policial negro com 15 anos de atuação na força que protege os parlamentares americanos, tornou públicos os relatos de agressões físicas e ataques racistas sofridos durante a invasão. Na ocasião, apoiadores de Trump tentaram impedir o Congresso de certificar a vitória eleitoral do ex-presidente Joe Biden nas eleições de 2020. Dunn também afirmou que desenvolveu transtorno de estresse pós-traumático após o ataque.
Durante a invasão, Daniel Hodges ficou preso contra uma porta giratória enquanto um manifestante o pressionava com um escudo policial. A cena viralizou nas redes sociais. Hodges continua na polícia de Washington e já prestou depoimento ao Congresso sobre o episódio.
Detalhes do fundo
O governo do presidente Donald Trump anunciou a criação do fundo na segunda-feira (18). A ideia é indenizar pessoas que afirmam ter sido alvo de investigações e processos movidos por motivos políticos nos Estados Unidos.
O chamado "Anti-Weaponization Fund" foi divulgado como parte do acordo judicial que encerrou o processo de US$ 10 bilhões movido por Trump contra a Receita americana, o Internal Revenue Service (IRS), após o vazamento das declarações de imposto de renda do presidente.
O acordo também levou o governo americano a abandonar auditorias e cobranças ligadas a investigações tributárias já abertas contra Trump, familiares e empresas do grupo Trump, além de prever um pedido formal de desculpas ao presidente. O governo não divulgou nomes de possíveis beneficiários nem critérios detalhados para receber indenizações.



