A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União no Ceará (CGU/CE) deflagraram, nesta quinta-feira (21), a Operação Kingdom, que resultou no afastamento cautelar do prefeito de Jardim, Antônio Coutinho, e da vice-prefeita, Jézika Costa. Ao todo, foram cumpridos 34 mandados de busca e apreensão nos municípios de Juazeiro do Norte, Jardim, Sobral, Barbalha, Aurora e Porteiras.
Investigação aponta organização criminosa
Segundo a PF, a operação visa desarticular uma organização criminosa suspeita de fraudes em licitações, desvios de recursos públicos federais, corrupção e lavagem de dinheiro. Os mandados foram expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5).
As investigações indicam que o núcleo da organização atuava a partir de Jardim, município localizado a 542 quilômetros de Fortaleza. Os suspeitos utilizavam empresas de fachada, vínculos familiares e possíveis laranjas para direcionar contratos públicos e ocultar valores desviados. Também foram identificadas cláusulas restritivas em editais para beneficiar empresas previamente selecionadas.
Crimes investigados
Os investigados poderão responder, conforme suas condutas individuais, pelos crimes de organização criminosa, fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, peculato e falsidade ideológica, entre outros delitos que seguem sob apuração.
Defesa do prefeito
Em nota divulgada nas redes sociais, o prefeito Antônio Coutinho, que está em Brasília para participar da Marcha dos Prefeitos, afirmou ter sido surpreendido pela decisão. Ele alega que os fatos que motivaram o afastamento são de gestões anteriores, sem relação com a atual administração.
A defesa de Coutinho informou que ainda não teve acesso integral aos autos do processo e que aguardará para se manifestar detalhadamente. No entanto, garantiu que o prefeito confia no retorno ao exercício do cargo para o qual foi eleito.
Movimentação financeira suspeita
As investigações revelaram que uma das empresas investigadas movimentou aproximadamente R$ 290 milhões, com suspeitas de participação em esquemas de lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. As cinco empresas investigadas mantiveram contratos com mais de 30 municípios nos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí, recebendo mais de R$ 15 milhões em recursos públicos federais e cerca de R$ 32 milhões de órgãos públicos.



