Pacheco aguarda definição de Lula para escolher novo partido
O senador e ex-presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), encontra-se em uma encruzilhada política que depende diretamente das articulações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo informações apuradas, Pacheco aguarda que Lula feche um acordo nacional com o MDB ou com o União Brasil para então decidir para qual dessas legendas irá se filiar, decisão que definirá por qual partido disputará as eleições de 2026.
Disputa pelo governo mineiro com apoio lulista
O parlamentar mineiro é incentivado pelo próprio petista a concorrer ao governo de Minas Gerais, contando com o apoio do lulismo e da esquerda. Pacheco teria confirmado a Lula sua intenção de disputar o Palácio da Liberdade em outubro, através de uma frente ampla de partidos que também abriria palanque presidencial para o petismo no estado. Embora discursos oficiais de Pacheco e do presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmem que "o martelo ainda não foi batido", fontes próximas aos dirigentes partidários indicam que a decisão já está encaminhada.
O senador prepara-se para deixar o PSD após o partido, comandado por Gilberto Kassab, ter filiado o vice-governador Mateus Simões, que apoia Romeu Zema (Novo) para a Presidência da República e também disputará o governo mineiro. A equipe de Pacheco alega que sua permanência no PSD tornou-se inviável porque o partido foi entregue a defensores de pautas incompatíveis com suas convicções, incluindo ataques à democracia, aos Poderes da República e práticas de negacionismo científico.
Estratégia eleitoral e prazos apertados
Para a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), principal liderança petista em Minas e potencial candidata ao Senado na chapa encabeçada por Pacheco, o movimento do senador representa uma estratégia eleitoral bem calculada. O objetivo seria desorganizar a oposição e manter-se em evidência política nos debates que se estenderão até abril.
As negociações precisam ser concluídas em pouco mais de um mês, visto que o prazo máximo para trocas de partido para quem vai disputar a eleição é até 4 de abril. Espera-se que Lula se envolva diretamente nessas articulações, assim como os ministros do MDB Renan Filho (Transportes), Simone Tebet (Planejamento) e Jader Filho (Cidades). O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), aliado de primeira hora de Pacheco, também deve atuar para agilizar as negociações em favor do amigo.
Condições para a filiação partidária
Após acordo firmado com Lula, Pacheco teria segurança para se filiar ao MDB ou ao União Brasil com a certeza de que a legenda escolhida não apoiaria Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ou Romeu Zema na disputa presidencial. Como critério fundamental para sua candidatura ao governo mineiro, o senador busca máxima viabilidade eleitoral, estando em uma legenda forte e com apoios de partidos de espectros políticos variados, da direita à esquerda.
Rodrigo Pacheco mantém proximidade com as lideranças do MDB e do União Brasil em Minas Gerais, tendo sido filiado a ambos os partidos antes de ingressar no PSD. No entanto, a avaliação atual é de que ambas as legendas dialogam tanto com Lula quanto com o bolsonarismo, e o senador espera um apoio nacional explícito a Lula da legenda em que vier a se filiar.
Obstáculos nas negociações
Um dos maiores empecilhos no momento é a possibilidade de o MDB indicar o provável novo vice de Tarcísio de Freitas (Republicanos) no governo de São Paulo. O União Brasil enfrenta situação semelhante, já tendo fechado acordo para apoiar Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro.
A maior possibilidade de viabilizar o cenário desejado por Pacheco seria o candidato a vice na chapa de Lula vir do MDB, mas tal acordo precisaria da aceitação de Geraldo Alckmin (PSB) e João Campos (PSB), responsáveis pela maior aliança governista: PT-PSB. Durante o último final de semana, Lula levou Pacheco consigo em viagem à cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, onde as chuvas deixaram 65 mortos nos últimos dias, demonstrando a proximidade entre os dois políticos.



